segunda-feira, 14 de novembro de 2011

MARCAS DE UMA NOIVA SADIA




Estou convicto em meu espírito de que em breve veremos uma Igreja (a Noiva) sadia e ativa novamente, ainda mais poderosa e vibrante do que a Igreja Primitiva. Esta Igreja será caracterizada por alguns sinais de saúde perfeita. Deleite-se nestas informações reveladas por aquele que conhece como ninguém a Noiva: o Noivo.

Parte A – Uma Noiva que promove o Noivo
1-      Não se Envergonhar das Palavras do Noivo

Lembro-me de que quando eu estava para me casar com a irmã Gisele, a mulher mais linda do mundo, eu soube por terceiros que minha credibilidade estava em alta, pois minha noiva propagava para muitos a meu respeito, sobre meu caráter, meu ministério, em fim, minha futura esposa me propagava a meu respeito.
Aliás uma frase sempre foi muito comum nos lábios de minha mulher: “O Enéas costuma dizer!!!...
Não seria este o procedimento de uma noiva apaixonada pelo noivo? Não deveríamos nós também, como Noiva do Cordeiro, divulgar orgulhosamente as palavras de Jesus, para que no “dia do casamento” não sejamos rejeitados? Senão vejamos: “Porque qualquer que de mim e de suas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos.” (Lucas 9:26). Ora, este tem sido o sentimento de muitos crentes “light” da atualidade ao serem indagados sobre sua fé, para amenizar a responsabilidade desta fé eles não dizem a velha e aparentemente desgastada frase “eu sou crente”, pelas modernas e socialmente aceitáveis: “eu sou evangélico” ou “eu sou gospel”. Lembre-se, Jesus deixou uma exortação para esta “geração Tomé”: “...não sejas incrédulo, mas crente.” (João 20:27b).
Está emergindo entre as nações uma geração que se orgulha das palavras do “velho livro da capa preta” e as propaga, que não tem vergonha de cantar hinos a Deus em publico, que sente prazer em distribuir folhetos evangelísticos nas ruas, que se regozija em se vestir para Deus e não para os outros.
Esta é a geração dos apaixonados pelo Noivo, e que diz a plenos pulmões: “...não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...” (Romanos 1:16)

2-      Propagar o Noivo em Todos os Lugares

Até o presente momento parece ter havido um aparente silêncio da Igreja, não se engane, o fato de uma propagação tão “intensa” da religião cristã, não significa que a Igreja está cumprindo seu papel de “voz” profética (João 1:23) para o mundo, pois pregar intensamente não significa pregar a mensagem corretamente. Temos uma missão, e não é pregar os dogmas do cristianismo, nem difundir a doutrina católica ou evangélica, não é cristianizar o mundo, não, nossa missão baseia-se na ordem imperativa do Noivo de ganhar almas e fazer discípulos: “...Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos 16:15), “...Ide, ensinai todas as nações...” (Mateus 28:19).
Além de propagarmos as palavras do Noivo, precisamos falar a respeito da pessoa Dele, seu caráter, sua vida, seu ministério, sua obra, pois na verdade, a salvação não está essencialmente nas palavras, mas na pessoa de Jesus. O evangelho pode ser dividido em duas partes: a pessoa de Jesus e os princípios de Jesus; na pessoa temos a salvação e nos princípios temos as bênçãos, na pessoa temos a vida eterna no céu e nos princípios temos a vida abundante na terra.
Uma noiva realmente apaixonada faz questão de propagar a respeito da pessoa do Noivo em todos os lugares. É como se houvesse um “suave” peso de responsabilidade, em função do amor constrangedor do Senhor, de anunciarmos a todos sobre este precioso Noivo, de forma que nossa alma clama como o apóstolo apaixonado: “...ai de mim se anunciar o evangelho...” (1ª Coríntios 9:16-17).
Nenhuma outra geração foi tão marcada pela paixão pelos perdidos como já desponta ser esta geração, e a promessa do reavivamento evangelístico no tempo do fim saiu dos lábios do próprio Noivo: “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, então virá o fim.” (Mateus 24:14).  

3-      Andar de Mãos Dadas com o Noivo

Orar sem cessar (1ª Tessalonicenses 5:17), esta é a recomendação apostólica para uma Igreja vitoriosa. Porém, como falar com o Noivo constantemente se não andamos com Noivo constantemente? Isto implica em intimidade e comunhão. Para certas ocasiões da vida não necessitamos de uma oração prolongada e prostrados de joelhos perante o Senhor, pois cestas situações são de extrema urgência. Imagine se Neemias indagado pelo rei tivesse pedido licença para um longo período de intercessão profética (Neemias 2:4). Acontece que Neemias não precisou ir ao seu aposento consultar a Deus, pois ele andava com Deus. Da mesma forma, um homem do período pré-diluviano não provou a morte, pois andava de “mãos dadas” com seu Amado. “E andou Enoque com Deus; e não se viu mais, porquanto Deus para si o tomou.” (Gênesis 5:24).
Eu e minha esposa nos amamos apaixonadamente, e este amor sempre foi muito patente, principalmente quando éramos noivos. Onde quer que estivéssemos, a característica marcante de nossa união não era uma aliança de prata, mas andar de mãos dadas. O significado cultural das mãos dadas é: “Eu te amo tanto que não quero te soltar!”
Esta é a geração dos amigos de Deus, daqueles que andam na intimidade das mãos dadas, caminhando e conversando com o Noivo pelo caminho; na igreja, em casa, no trabalho, no carro, no ônibus, em fim, é uma comunhão contínua, uma amizade profunda.
Somente uma fé genuína, sem a jactância de obras humanas, pode estabelecer uma verdadeira amizade com o Senhor, e o “pai da fé”, Abraão, nutria esta fé. “...E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado amigo de Deus.” (Tiago 2:23)
Somente uma sede desesperada e insaciável e quase compulsiva pode conquistar a amizade intima do Senhor, e Moisés possuía tal sede. “E falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala com seu amigo...Então, ele [Moisés] disse: Rogo-te que me mostres a tua glória.” (Êxodo 33:11, 18).
A condição fundamental exigida por este Noivo que deu a vida por nós, para uma intimidade maior é a obediência irrestrita. “Ninguém tem maior do que este: de alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.” (João 15:13-15).
Jesus quer caminhar conosco, e tem encontrado uma geração cujo sentimento é recíproco. Esta é a geração que soltará a mão do “sistema” e andará de mãos dadas com o Noivo.   

Parte B – Uma Noiva que é fiel ao Noivo
1-      Evitando a Amizade com o Mundo

Entendo que a fidelidade é o sustentáculo primordial de qualquer relacionamento, principalmente um relacionamento conjugal e pré-conjugal.
Quando minha esposa e eu estávamos noivos, eu me preocupava muito com o tipo de amizade que ela nutria, e não poucos vezes, recomendei-lhe o afastamento de certas “amizades”.
Um tipo de amizade é claramente rejeitado pela palavra de Deus, a amizade com o mundo. “...Qualquer que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus.” (Tiago 4:4). Seria um notável paradoxo casar-se com um inimigo, portanto se queremos ser amigos de Deus, precisamos ser inimigos do sistema mundial.
Este “contato” demasiado com o mundo político, ecumênico e com o artístico, tem deixado o Noivo extremamente enciumado. Embora precisemos ter consciência política e exercer nossa cidadania, “a política é mundo”, embora nos seja útil conhecer os conceitos de outras religiões e dentro de parâmetros, respeitá-las, “o ecumenismo é mundo”, e embora não possamos ser alienados da cultura e da informação, “o mundo artístico midiático é mundo”. Não posso conceber um ministro do evangelho se utilizar de música secular para ilustrar verdades espirituais, pois, nenhum incrédulo espera isso dentro de uma igreja.
Esta é a geração dos “radicais”. Deus seta levantando uma Igreja que renuncie o mundo em suas minúcias e que abre mão de seu lazer e entretenimento para dedicar seu amor e tempo ao Noivo. Aleluia!
    
2-      Não Amando o Mundo

Algumas pessoas não conseguem evitar e se afastar de sua amizade com o mundo por um simples motivo, ainda que neguem esta verdade, estas pessoas amam o mundo.
Tais pessoas dizem amar a Jesus, mas também amam as bandas e os cantores mundanos; dizem amar a Jesus, mas também amam seu time “do coração”; dizem amar a Jesus, mas também amam seus filmes seculares cheios de violência, terror, sensualidade e morte; dizem amar a Jesus, mas também amam suas “saidinhas” e “baladas” com amigos ímpios. Em fim, muitos por amar o mundo, mascaram este amor com a velha e tola alegação: “Não tem nada há ver!”. Lamentavelmente o inferno está repleto de pessoas que se justificavam com esta frase.
Não se engane, se você está enredado a estas coisas, o amor de Deus não está em você. Se a Igreja está de gracejo com estas coisas ela está destituída do amor de Deus, pois isto que diz o Espírito Santo: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.” (1ª João 2:15-16)
O Noivo não dividirá nosso amor com nada e com ninguém, e é por isso que o Espírito Santo está preparando uma Noiva separada e pura, cujo amor está reservado somente para o Noivo.
Já ouvi alguém me dizer maliciosamente que estou tentando ser santo demais; a minha resposta é: “Eu deveria ser santo de menos!” se a Bíblia diz: “Quem é injusto faça injustiça ainda; e quem é sujo suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda.” (Apocalipse 22:11). Cada vez mais separados, cada vez mais puros, cada vez mais justos, cada vez mais santos, esta é a vontade do Noivo. “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação...” (1ª Tessalonicenses 4:3).
Amemos somente a Ele, com o amor que Ele deseja ser amado (João 21:15-17). Louvado seja Deus!

Parte C – Uma Noiva que anseia pelo casamento
1-      Anunciando o Casamento

É estranho notar que no período de maior eminência da segunda volta de Cristo, parece ter diminuído o fluxo de mensagens de cunho escatológico. Não basta anunciar a morte do Senhor até que Ele venha (1ª Coríntios 11:26), precisamos anunciar que Ele vem (2ª Pedro 3:10).
Não credito no “avivamento” de uma igreja onde a mensagem da vinda do Rei é omitida e negligenciada. Levando em consideração que a morte dos santos, para a alegria do Pai, tem um fluxo tão constante e intenso, precisamos externar de nossos púlpitos mensagens a mensagem do consolo sem cessar. “...consolai-vos uns aos outros com estas palavras.” (1ª Tessalonicenses 4:13-18).
Os quatro pilares da doutrina pentecostal são: Jesus Cristo Salva, Jesus Cristo Cura, Jesus Cristo Batiza com o Espírito Santo e Jesus Cristo Virá. Quero louvar a Deus pela grande difusão da mensagem da cruz ao mundo perdido, e pelo derramamento do Espírito sobre toda a carne, também me alegro pelo grande mover de cura entre as nações, mas não posso conceber a escassez da mensagem do arrebatamento nos púlpitos, principalmente os “ditos” pentecostais.
Não há noiva apaixonada que não saia de casa em casa distribuindo os convites com a data de seu casamento. Lembro-me que minha esposa neste aspecto “correu” mais do que eu às vésperas do casamento.
Precisamos confrontar os “escarnecedores da segunda vinda” com o anúncio convicto dela (2ª Pedro 3:1-17) e não com vergonha da mensagem do arrebatamento, e lembre-se, “...digo isto conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé.” (Romanos 13:11).
Esta é a geração da Igreja que convida fervorosamente o mundo para as bodas, não se importando com os apelos escarnecedores dos céticos. É a geração da meia-noite, que clama: “...Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro!” (Mateus 25:6)

2-      Preparando-se para o Casamento

Nenhuma noiva vai para a cerimônia matrimonial de qualquer maneira, o dia do casamento é o dia mais especial de sua vida, de forma que ele quer estar linda, pois os olhos de todos os convidados, padrinhos e principalmente do noivo estarão sobre ela. Apesar da beleza eterna de minha esposa, nunca a tinha visto tão bela e estonteante, ela passou todo aquele dia em salões de beleza e casas de estética, além disso, guardou sua honra para mim. Lá estava ela, entrando e desfilando sobre o longo tapete vermelho estendido especialmente para ela naquela igreja linda e cheia. Meu coração não pode conter o entusiasmo e a vaidade de ser o amado daquela beldade que se preparou a vida toda para aquele momento de gala.
Assim será também o encontro de Cristo com sua Igreja nos ares (1ª Tessalonicenses 4:17), a mais glamorosa e grandiosa festa de casamento da história, com duração de sete anos. Mas para que possamos fazer parte destas bodas, precisamos nos preparar. Paulo fala desta preparação ao comparar o casamento com este Grande Encontro nos Ares, “Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Efésios 5:25-27). Note o estado em que deve estar a Igreja no dia do casamento: (1) GLORIOSA. Uma Igreja que tem intimidade com a glória de Deus e que venceu o mundo; (2) SEM MÁCULA. Uma Igreja sem nenhuma impureza; (3) NEM RUGA, NEM COISA SEMELHANTE. Uma Igreja renovada e não envelhecida pelo tradicionalismo dos dogmas e liturgias, e rejuvenescida pelo oxigênio do Espírito Santo; (4) SANTA. Uma Igreja que se identifica com o mais peculiar atributo do Noivo, a santidade; (5) IRREPREENSÍVEL. Uma Igreja que no dia do casamento não terá motivos para ser repreendida, senão para ser elogiada e amada pelo Noivo.
Para tal, Deus já tem levantado uma geração de verdadeiros “esteticistas espirituais”, com o mesmo fervor e zelo profético do apóstolo Paulo em relação à Igreja: “Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo.” (2ª Coríntios 11:2)

3-      Clamando pelo Casamento

Eu não poderia concluir este seminário profético de outra maneira senão com o principal clamor profético da Igreja, MARANATA!!!
Uma igreja cujas motivações primordiais não incluam prioritariamente a esperança do arrebatamento dos santos, está indubitavelmente enferma.
Recordo-me que às vésperas de meu casamento, tanto eu, como minha esposa estávamos extremamente ansiosos para o grande dia. Porém, com toda minha expectativa, ainda houve em mim uma certa contenção de emoções, já minha linda noiva estava com suas emoções à flor da pele. Ela estava agitada, alvoroçada e indo de pra lá e pra cá.
Em muitos seguimentos denominacionais parece não haver o menor sinal de esperança ou de expectativa do “Dia do Casamento”. Algumas igrejas parecem querer prolongar o noivado, e o grande perigo disso, é que uma noiva que não casa fica “abrasada pela carne” (1ª Coríntios 7:9), Jesus, porém, não permitirá que a sua Noiva se corrompa, quando a concupiscência e o homem do pecado (2ª Tessalonicenses 2:3) dominarem a terra, a Igreja já estará casada.
Enquanto o dia das bodas não chega, guardemos dos “flertes inocentes” com o mundo, as “piadinhas gospel” que escarnecem o sagrado e os dons espirituais, isto constitui-se sacrilégio; as navegações impróprias nos oceanos pérfidos da querida internet; a “veneração discreta” a times esportivos e partidos políticos; a preferência “eclética” por música secular, que na verdade, em essência é música mundana. Por favor, caro leitor, não se engane, “Porventura, deita alguma fonte do mesmo manancial água doce e água amargosa? Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Assim, tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce.” (Tiago 3:11-12). O oposto de santo e consagrado, dentre definições como: corrompido, profano, impuro e mundano, é, secular. Estes “namoricos” com o mundo são o sintoma de uma Noiva que já perdeu o entusiasmo pelo Dia do Casamento, e está gostando da “vida de solteira” aqui na terra.
Agora é chegado o tempo, a Noiva será novamente visitada pelo “Eliezer divino” (Gênesis 24:1-67), o Espírito Santo, que a despertará, ai então, a Noiva ficará eufórica, ansiosa e correndo pra lá e pra cá anunciando o casamento.
É o Espírito Santo que fará com que a Noiva já se sinta Esposa, e ambos, juntos clamarão. “E o Espírito e a esposa dizem: vem!...” (Apocalipse 22:17).
É necessário um despertamento escatológico na doutrina da Igreja, uma renovação da maior esperança da Igreja (Tito 2:13), um amor apaixonado pela vinda do Noivo para que a Noiva receba a coroa da justiça. “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juíz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.” (2ª Timóteo 4:8)
O entusiasmo da Noiva está sendo restaurado e esta geração está sendo impelida a clamar: “vem!”, porém, esta geração sabe que enquanto o Noivo não vem, ela precisa trabalhar mais do que nunca, se adornando e convidando cada vez mais pessoas para as bodas.
Esta geração contemplará com seus olhos a Noiva mais saudável e vibrante de toda a história da Igreja, que incensará o mundo com a exuberância de sua beleza e por sua santidade sem precedentes.
Esta geração ouvirá as mais poderosas e precisas mensagens proféticas desde o período da Igreja Primitiva, pelos lábios consagrados de profetas especialmente treinados na escola do Espírito.
Esta geração será espiritual e doutrinariamente norteada por verdadeiros apóstolos, não de título, mas de unção, pois o mover apostólico é a nova diretriz para todo o corpo de Cristo, mesmo àquelas igrejas que não têm e não reconhecem “apóstolos” nominalmente.
Esta geração será alimentada e cuidada por pastores com o coração de Jesus Cristo, pastores que priorizam os interesses do Reino de Deus em detrimento aos interesses de suas convenções e organizações.
Esta geração será marcada pelas mais profundas revelações bíblicas, e os mais poderosos ensinamentos sobre o Reino de Deus, por intermédio, não de apologistas céticos, mas de mestres da Palavra ungidos por Deus.
Esta geração verá com seus olhos os evangelistas mais apaixonados e vibrantes desde John Wesley, Charles Finney e Dwith Moody, pregando a simples mensagem da cruz com uma unção sem precedentes, com sinais extraordinários.
Esta geração contemplará com seus próprios olhos o Espírito Santo “CURANDO A NOIVA”.

QUE CULTO É ESTE VOSSO?



...Que culto é este vosso?
Êxodo 12:26

            Esta é indagação que Moisés predisse que seria feita pelos filhos aos pais no que tange à páscoa, é, porém, em última análise a indagação que esta geração informada e inquiridora, faz à nós, Igreja do Senhor. O culto é o termômetro da vida espiritual da Igreja, e todos quantos querem conhecer uma igreja, mesmo que inconscientemente acabam avaliando o nível de entusiasmo e a atmosfera mística que permeia as reuniões de um grupo religioso. Particularmente sou parte de uma denominação pentecostal histórica (Igreja de Deus em Cristo), cujo culto é caracterizado por um fervor incomparável, mas ainda assim, me preocupo com o culto de muitas igrejas que não reflete mais a glória de Deus. E eu, como parte desta geração profética, lhe pergunto: “Que culto é este vosso?”

O Culto Show

No decorrer dos séculos de vida da Igreja, creio que os maiores ataques de Satanás à Igreja foram direcionados à forma e à liturgia do culto cristão, que foi infectado de forma a perder sua identidade neo testamentária. E Deus também nos indaga com o mesmo questionamento das gerações futuras que nos verão “cultuando” a Deus: “...Que culto é este vosso?” (Êxodo 12:26b).
Gostaria de explanar esta infecção do culto começando pelo mais moderno “método de culto” alternativo inventado pela religiosidade humana, o Culto Show. O interessante é que este tipo de culto é justificado pelos seus idealizadores como uma quebra do tradicionalismo e da religiosidade, quando na verdade é uma apologia ao secular e ao profano. Não existem mais parâmetros neste modelo de culto. Ritmos literalmente mundanos são incorporados ao santo louvor congregacional, desprezando a verdadeira adoração a Deus que consiste em quebrantamento (Salmo 34:18; 51:17), glorificação (Salmo 29:9; Hebreus 13:15) e lágrimas (Joel 2:17; 1º Samuel 1:10). Lamento parecer tão intolerante e antiquado, mas você deve concordar comigo que é impossível haver a maravilhosa junção de quebrantamento, glorificação e lágrimas ao som de samba, pagode ou funk “gospel”, tais ritmos poderiam até mesmo ser úteis em um trabalho “extra templo” de cunho evangelístico, mas não no sagrado momento de comunhão das duas horas de culto. Sou favorável aos ritmos alegres e festivos no culto a Deus, porém, dentro de parâmetros bíblicos e espirituais. Precisamos ser sensíveis ao Espírito Santo para sabermos e buscarmos aquilo que agrada ao Senhor e não simplesmente aquilo que agrada a determinada classe de pessoas da igreja. Sou um apaixonado pela cultura da Black Music, marcada pelo quebrantamento característico dos antigos escravos negros da América. A estratégia de Deus para atrair os jovens a Jesus, não é secularizando o louvor e sim produzindo a atmosfera ideal para a manifestação da verdadeira alegria da salvação e da glória de Deus.
Além disso, a Igreja precisa abandonar urgentemente seus “bezerros de ouro” e centralizar sua atenção e reverência a Deus e não a homens especialmente ungidos por Deus. Ao sair não deveríamos comentar: Que cantor! Ou, que pregador! Ao contrário deveríamos dizer: Que Deus! Não nos esqueçamos de que Deus depositou o seu “...tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.” (2ª Coríntios 4:7).
Alguns líderes organizam o culto show com boa intenção, eles realmente querem agradar a Deus, mas se esquecem que o melhor organizador e promotor de eventos da Igreja é o Maravilhoso e Divino Espírito Santo. Davi organizou um verdadeiro “show pirotécnico” para trazer a presença de Deus (a arca) à Jerusalém, mas desprezou as orientações do Espírito através das escrituras. Isto redundou não em benção, mas em tragédia. A glória de Deus não virá escorada sobre as rodas vacilantes das programações e estratégias de marketing, mas sim sobre os ombros santos dos verdadeiros levitas de Deus (2º Samuel 6:1-15)
É tempo de substituir os artistas do púlpito pelos verdadeiros profetas, a luz dos holofotes pela luz do nosso testemunho cristão, os aplausos carnais pela glorificação e a fumaça de palco pela nuvem da glória de Deus.

O Culto Morno

Creio que nada é tão danoso e vergonhoso para a Igreja como um culto marcado pela apatia espiritual e pela negligência na adoração. Digo que é danoso e vergonhoso porque, em uma linguagem antropomórfica, Deus “fica doente” com tal culto, a ponto de sentir-se fortemente “enjoado”. Esta foi a advertência de Jesus à igreja de Laodicéia: “Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.” (Apocalipse 3:15).
Por ter em minha alma uma unção profética, sinto-me profundamente irritado e ofendido ao contemplar em um culto certos comportamentos indolentes como casais com a cabeça debruçada no ombro um do outro como se estivessem no cinema, mãos no bolso, braços cruzados (Salmo 63:4; 143:6), celulares ligados, chicletes na boca numa mastigação quase “eqüina” (Hebreus 13:15), conversas vãs, chocarrices (Efésios 5:4), olhos secos e fixos em nada (Salmo 63:1-8; 42:1-3), cantarolas sem vida e sem expressão (2º Crônicas 5:13), ênfase política no púlpito, trajes indecorosos e pregações fracas e frias (Salmo 45:1; Lucas 24:32; Atos 10:44), dentre outras coisas. Gostaria que você meditasse em algo, pense na reverência que é legalmente devida no ambiente de um tribunal e na presença de um juiz de direito, pois é, em um júri, não se pode entrar com qualquer traje, aliás, as mulheres são proibidas de revelar as curvas de seu corpo com roupas pequenas e decotes, e tanto para homens quanto para mulheres o traje prudente é indispensável, tudo isso, principalmente, em reverência a presença de um juiz da terra, à vista disso, quanto mais devemos reverenciar o Juíz de toda a terra (Salmo 75:7a) no ambiente sagrado de sua casa? Não quero ser excessivamente taxativo em meu posicionamento dogmático, expondo que tipo de vestimenta é licita ou ilícita, que convém ou não convém, mas me manifesto taxativo e veemente quanto ao posicionamento moral e escriturístico, acerca disso, pois deveríamos observar melhor e contextualmente as seguintes escrituras: 1ª Timóteo 2:9-10; 1ª Pedro 3:3-5.
O que fez com que o fervor espiritual da igreja de Laodicéia mornasse, foram três fatores: (1) auto-suficiência e conformidade “...dizes:...de nada tenho falta...Ap 3:17; (2) vida moral impura “...compres...vestes brancas...v. 18; e (3) cegueira espiritual “...unjas os olhos com colírio...v. 18b
É tempo de aquecermos nosso espírito no servir ao Senhor. “...sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor.” (Romanos 12:11b).
   
O Culto Desordenado

Creio que poucas coisas entristecem tanto o Espírito Santo quanto a desordem atribuída a Ele. Quero dizer, manifestações humanas e carnais praticadas por crentes imaturos que afirmam estarem sendo impelidos pelo meigo Espírito de Deus. Alguns “profetas” parecem entrar em uma espécie de transe e ficam possessos quando na verdade o que o próprio Espírito Santo diz é que “...os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” (1ª Coríntios 14:32), portanto, não há descontrole na operação dos dons. Quero, porém, declarar que em reavivamentos e manifestações da glória de Deus, invariavelmente existem excessos quase inevitáveis, que não podem ser contidos pelos moldes da teologia moderna e pelos paradigmas litúrgicos inflexíveis de líderes mornos, e este tipo de mover embriaga a alma humana até que esta extravase suas emoções e impulsos de arrependimento e indignidade diante de Deus. Porém, enquanto este tipo de intervenção sobrenatural divina não ocorre, nossos cultos devem ser alinhados nos moldes espirituais da Bíblia (1ª Coríntios 14:1-40).
Sou extremamente flexível com relação ao “cair no Espírito”, mesmo porque, já vi tais manifestações em evidência no meu ministério, mas, sou antagonista a este “empurra, empurra” que virou regra em certos movimentos que têm o cair como única prova do poder de Deus. Precisamos voltar a ser espontâneos e esperar o sobrenatural de Deus, sem tentar forjá-lo com “sopros de emocionalismo”.
É tempo de procurarmos organizar os cultos para agradar não ao publico, mas sim a Deus.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

"A DÍVIDA HISTÓRICA DO CENTENÁRIO ASSEMBLEIANO"






Indubitavelmente, a Assembléia de Deus é, segundo o historiador eclesiástico Vinson Synan, a maior e mais conhecida “comunidade pentecostal” do mundo com 35 milhões de membros no mundo, embora, o mesmo Vinson Synan declare que hoje, a igreja de Deus em Cristo é a maior denominação pentecostal existente e a igreja que mais cresce. A diferença está nas terminologias aplicadas a ambos os seguimentos: A Assembléia de Deus é a maior como “comunidade pentecostal” e a Igreja de Deus em Cristo é a maior como “denominação pentecostal” histórica. Comunidades Pentecostais possuem inúmeras ramificações dissidentes, mas uma denominação possui uma unidade eclesiástica legitimamente episcopal, ou seja, embora a AD como denominação pareça tão grande, ela está fragmentada por políticas administrativas diversas que formam blocos facciosos, já a COGIC não possui essa pluralidade administrativa e de lideranças (digo isso como ministro que já pertenceu à AD por 30 anos, e hoje pertence à COGIC). Uma das grandes diferenças entre estas poderosas Igrejas Pentecostais, é que a AD tem suas raízes no movimento da Fé Apostólica de Charles Parham e a história da COGIC remonta os avivamentos da santidade (Holiness) de meados do século XIX.
Como ministro formado pela querida Assembléia de Deus, comemorei no ano passado com centenas de milhares de irmãos assembleianos no Brasil, celebrando o seu “centenário”. Porém, hoje, como ministro reconhecido pela COGIC – Church Of God In Christ (Igreja de Deus em Cristo), e acima de tudo como estudioso e modesto historiador pentecostal, devo trazer à lumi alguns fatos históricos que têm sido negligentemente omitidos pela liderança e pelos historiadores dessa amada comunidade.
À bem da verdade, a AD como denominação foi estabelecida em 1918, pois desde 1911, vigorava o nome comum no Movimento Pentecostal nos Estados Unidos, Missão da Fé Apostólica. A liderança da AD no Brasil, embora trabalhando independente, acompanhava as mudanças ocorridas no movimento americano.
Foi em 1914 no concílio de Hot Springs, que aproximadamente trezentos pastores brancos da Igreja de Deus em Cristo se reuniram para estabelecer sua nova denominação predominantemente branca. O motivo? A severa segregação racial norte-americana. O nome da nova denominação? Assembléia de Deus. Foi exatamente nesse ano (1914) que surgiu a cogitação do nome que inspirou o mesmo nome no Brasil. Esses trezentos pastores brancos foram todos ordenados e autorizados pelo Bispo negro Charles Harrison Mason, fundador e Bispo Geral da Igreja de Deus em Cristo; naquele início de século, a Igreja de Deus em Cristo era a única denominação oficial, portanto a única que poderia ordenar e licenciar ministros para pregar e abrir igrejas legalmente. Isso era interessante para os ministros da época, tanto negros, como espânicos e brancos, muitos deles, após conseguir suas licenças e credenciais, não se sentiram a vontade para serem liderados por bispos negros e abriram suas próprias denominações.
Mesmo assim, o Bispo C.H. Mason, além de ministrar constantemente nas convenções da nova igreja Assembléia de Deus, ajudou a financiar missionários da mesma. Aliás, dentre o grupo que despediu com certos recursos a nobre dupla de missionários, Daniel Berg e Gunnar Vingren, estava o Bispo Mason.
A exposição desses importantíssimos detalhes históricos tem um único intuito: Reconhecer a importância histórica da COGIC como a verdadeira mãe histórica da AD e promover a unidade fraternal entre estas duas queridas igrejas, ao menos no Brasil.
Ao me referir no tema desta postagem à “dívida histórica dos assembleianos”, não reivindico nenhum outro débito senão o do reconhecimento no mínimo honorífico. Deus alçou a Assembléia de Deus e a Igreja de Deus em Cristo como as maiores e mais influentes denominações pentecostais do planeta, e se reconhecermos mutua e reciprocamente este poderoso legado histórico, poderemos, não somente nos gloriarmos de uma história centenária, mas estabelecer juntos o modelo doutrinário que temos conservado desde a Rua Azuza 312, para fornecer às novas denominações este padrão, contribuindo assim, para a inibição dos ventos de doutrinas oriundos das novas vertentes pós-pentecostais.
Embora nos Estados Unidos a COGIC (6 milhões) seja duas vezes maior do que a AD (3 milhões), no Brasil a COGIC começou sua ascensão nos últimos três anos, especialmente através do crescimento explosivo da musicalidade afro-americana por aqui. Mas a história mundial de sucesso e avivamento de ambas as denominações, deve ser um motivo para sua união, não como instituições, mas como partes cruciais do corpo de Cristo em nossos dias.
Parabéns minha amada Assembléia de Deus, pela comemoração em 2011 de seu centenário no Brasil. Honramos a liderança pioneira e visionária dos ungidos missionários suecos, Daniel Berg e Gunnar Vingren; honramos os joelhos calejados das irmãs do Círculo de Oração; honramos aos líderes assembleianos que conservam seu legado doutrinário, moral e litúrgico; em fim, como um pequeno representante da Igreja de Deus em Cristo em nosso país, quero honrar a Igreja que, por trinta anos me infundiu um legado de oração e santidade, além de me formar como ministro (ver página Pastor Enéas).       


Fonte: O Século do Espírito Santo. De Vinson Synan. Editora VIDA.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

MISSÃO DA FÉ APOSTÓLICA / RUA AZUZA, 312


         A Sede dessa obra era um antigo prédio de madeira de uma igreja metodista que fora posto à venda, parcialmente queimado, coberto por um telhado plano e construído com dois pavimentos. Não era rebocado, apenas pintado de branco sobre o revestimento bruto. Na parte de cima havia um salão equipado com cadeiras e três pranchas de madeira de sequóia da Califórnia que também serviam de assentos. Esse era o “cenáculo” pentecostal, no qual almas santificadas buscavam a plenitude do Espírito Santo e falavam novas línguas, encontrando o que em tempos antigos era chamado “vinho novo”. Naquelas salas pequenas, mãos eram impostas sobre os doentes, e eles eram curados. Na parte de baixo, havia um espaço de 32 metros X 22 metros, com uma miscelânea de cadeiras, bancos e banquetas, nos quais os curiosos e os ansiosos se acomodavam durante horas para ouvir os estranhos sons, canções e advertências vindas do céu. No centro do salão, havia uma caixa retangular, na vertical, coberta com um pano de algodão, a qual um comerciante de sucata avaliara em 15 centavos. Era esse o púlpito do qual o líder, Irmão Seymour, pregava o arrependimento, o perdão, a santificação, o poder sobre os demônios e doenças, e o batismo com o Espírito Santo e com fogo dos tempos antigos.
         As reuniões eram realizadas todos os dias: começavam às 10 da manhã e se prolongavam até quase meia-noite. Havia três altares para os cultos diários. O altar era uma prancha de madeira apoiada em duas cadeiras colocadas no centro do salão, e ali o Espírito Santo descia sobre homens, mulheres e crianças, nos antigos moldes pentecostais, tão logo ficava evidenciado que haviam tido a experiência de purificação interior. Pregadores orgulhosos e leigos de grande inteligência, inflados das próprias teorias e crenças, chegavam de todas as partes e experimentavam a humilhação, tendo afastada de si toda a “palha” de seus conceitos, chorando de consciência limpa diante de Deus e suplicando para serem cheios do poder do alto. De cada crente sincero que recebeu a maravilhosa experiência que enchia, emocionava, abalava e energizava a estrutura física e moral, o Espírito Santo testemunhava sua presença, usando os órgãos fonadores para se expressar numa nova língua.

Artigo extraído de Way Of Faith, 11 de Outubro de 1906, provavelmente da autoria de Frank Bartleman.

         Durante o período de “calmaria”, após o declínio do Movimento, Seymour trabalhou num prédio do ministério da Missão da Fé Apostólica do Pacífico, à qual se filiara em dezembro de 1906. Viajando o tempo inteiro, Seymour espalhou a mensagem pentecostal do Maine a San Diego. Recebeu honras de apóstolo da Igreja de Deus em Cristo e muitas vezes, dirigiu suas reuniões. Muitos líderes de denominações já estabelecidas também estiveram na Missão da Rua Azuza, receberam o batismo com o Espírito Santo e, ao retornar ao seu lugar de origem, conseguiram redirecionar, parcial ou totalmente, suas respectivas igrejas para a vertente pentecostal. O primeiro deles, Charles H. Mason, fundador da Igreja de Deus em Cristo, chegou à Rua Azuza para uma longa estada, em 1907. Ao retornar à sua base, em Memphis, ele próprio e a mensagem pentecostal foram rejeitados pela maior parte da igreja. A rejeição levou-o a dividir a igreja em 1907. Mason e os que concordavam com ele reorganizaram a Igreja de Deus em Cristo como uma denominação pentecostal. Sendo o único dos primeiros convertidos à doutrina pentecostal originário de uma igreja legalmente estabelecida (a 1ª historicamente, 1897), o bispo Mason desempenhou um papel fundamental na propagação do movimento e de sua mensagem. Sua prática de ordenar ministros de todas as raças serviu como canal para levar o fogo do avivamento da Rua Azuza a todas as partes dos Estados Unidos. Entre 1909 e 1914, a Igreja de Deus em Cristo abrigava tanto congregações brancas quanto afro-americanas. Hoje, a Igreja de Deus em Cristo é a maior denominação pentecostal existente e a igreja que mais cresce nos Estados Unidos.

Extraído do livro interdenominacional: “O Século do Espírito Santo” de Vinson Synan (Ed. Vida).

MISSÃO DA FÉ APOSTÓLICA
RUA DOUTOR GALVÃO GUIMARÃES, 126 A

Considerando a visão que Deus concedera à COGIC-MFA, entendemos em nosso espírito que este é “o novo endereço” da Missão da Fé Apostólica, reunindo a história pioneira e poderosa da Igreja de Deus em Cristo e do Bispo Mason, e o legado profético da Missão que começou na Rua Azuza com William Joseph Seymour. Assim, buscamos reviver o âmago e as características espirituais do Movimento do início do século XX, com equilíbrio teológico, mas conservando a soberania do Maravilhoso Espírito Santo. “Converte-nos, Senhor, a ti, e nós nos converteremos; renova os nossos dias como dantes.” (Lamentações 5:21)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

ORIGEM BÍBLICA DA PREGAÇÃO PENTECOSTAL



Embora o advento da “dispensação do pentecostes” seja neotestamentário, o protótipo da pregação pentecostal já se evidenciava no ministério de alguns profetas da Antiga Aliança, faremos menção de quatro: (1)Jeremias, (2)Ezequiel, (3)Elias e (4)João Batista.
Jeremias, o profeta, teve profunda e significante influência na história da nação de Israel, mesmo com seu temperamento melancólico, sua personalidade era extremamente forte e sua conduta e postura diante da palavra de Deus era a mais séria possível. Jeremias era oriundo da cidade de Anatote em Jerusalém, e seu pai Ilquias era sacerdote, assim, Jeremias fora criado e educado sob forte influência religiosa e espiritual, aliás, Jeremias por ser de linhagem sacerdotal, deveria ter seguido legalmente este ofício, mas Deus tinha para ele outros planos mais elevados. Realmente parece paradoxal apresentar Jeremias como “protótipo” de pregador pentecostal, dada a sua retração e timidez, mas este é um exemplo clássico de que o ímpeto e a veemência da pregação pentecostal não são atributos exclusivos dos coléricos e sangüíneos. Assim como muitos servos de Deus que não possuem eloqüência natural, Jeremias sentia-se incapaz de pregar a poderosa e dura mensagem de Jeová (Jr 1:6), mas essa crise na auto-estima já não era novidade na história dos grandes ícones proféticos de Israel (Êx 4:10-12).
As profundas experiências carismáticas de Ezequiel legaram a ele um lugar de destaque na galeria dos grandes profetas de Israel. Não se pode negar que Ezequiel fora um poderoso pregador da palavra de Deus, aliás, por quarenta e nove vezes em seu livro aparece a frase: “Veio a mim a palavra do Senhor”. A vocação “pentecostal” de Ezequiel é evidenciada quando ele relata pela primeira vez: “Então, entrou em mim o Espírito, quando falava comigo, e me pôs em pé, e ouvi o que me falava.” (Ez 2:2) Note que o Espírito Santo (1)entrou nele, (2)levantou-o, e (3) o fez ouvir a palavra de Deus. São experiências tipicamente pentecostais.
Não podemos deixar de fora dessa lista preliminar o profeta do fogo, Elias. Seu idealismo e sua veemência colocaram Elias no mesmo patamar de importância de Moisés, Elias é popularmente conhecido como o “profeta do fogo”, em seu sermão no monte Carmelo (I Rs 18:21-24) encontramos elementos predominantemente pentecostais: 1- Uma mensagem que confronta a indecisão (v. 21); 2- Uma mensagem que expõe o sacrifício expiatório (v. 23a); 3- Uma mensagem que promove o fogo divino (v. 23b); 4- Uma mensagem que desafia a fé e a conduta do povo (v. 24).
Embora a narrativa de sua vida e ministério esteja em o Novo Testamento, João Batista foi o último profeta do Antigo Testamento, aliás, no A.T. existem menções proféticas apontando para ele como “anjo” (Ml 3:1) e “voz do que clama no deserto” (Is 40:3). João Batista foi aquele que preparou o caminho do Senhor; na antiguidade quando os grandes reis conquistadores vinham estabelecer seu governo sobre uma nação havia um atalaia, que coordenava o aplainamento das estradas por onde passaria o rei. João Batista preparou o caminho para a manifestação do Rei dos reis, Jesus, o Cristo. Note as credenciais pentecostais de João Batista:

(1) Era um pregador...apareceu João Batista pregando...” (Mt 3:1).
Profetas são invariavelmente pregadores da palavra de Deus, porém no quesito pregação João era especialmente dotado de veemência e autoridade, Jesus chegou a compará-lo com uma cana agitada pelo vento (Mt 11:7).

(2) Não era ostentador...veste de pêlos de camelo e um cinto de couro...e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre.” (Mt 3:4)
A origem dos ministros pentecostais sempre esteve ligada à simplicidade, seja na conduta, seja na mensagem. A teologia da prosperidade é um ramo estragado do pentecostalismo norte-americano que impregnou a cristandade evangélica. O verdadeiro pregador pentecostal não é adepto da pobreza, mas também não ostenta riqueza indevida como muitos tele-evangelistas e “mega-pregadores” da atualidade.

(3) Sua abordagem era versátilE assim admoestando-os, muitas outras coisas também anunciava ao povo.” (Lc 3:18)
Temos assistido um tempo de ministérios restringidos por “estilos e tópicos”, há pregadores somente de cura, ou somente de prosperidade, ou somente de família, ou só de libertação. Embora a mensagem pentecostal possua distintivos bíblicos muito claros (como veremos mais à frente), a marca do pregador pentecostal é a versatilidade de sua mensagem, sempre apontando para a Pessoa de Jesus Cristo e conclamando para o despertamento pessoal. O pregador pentecostal não escolhe temas segundo o seu coração, ele prega o que está no coração de Deus.

(4) Era um poderoso exortador...arrependei-vos...” (Mt 3:2; 7:9)
Desde seus primórdios a mensagem pentecostal caracterizou-se por seu cunho exortativo, pregadores pentecostais não oferecem bênçãos divinas sem fornecer os critérios divinos. O pregador pentecostal não se importa em fazer as pessoas se sentirem bem consigo mesmas, ao contrário, procura levar as pessoas à introspecção de seu estado pecaminoso e ao arrependimento. As palavras da mensagem pentecostal devem ser como setas incandescentes na consciência fria e cauterizada dos homens.

(5) Sua mensagem possuía o elemento escatológico...toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo.” (Mt 3:10)
Um dos aspectos mais peculiares da mensagem pentecostal é a insistência em preparar as pessoas para a eternidade seja por ocasião da morte ou do arrebatamento da Igreja. O pregador pentecostal não deve omitir em época nenhuma em seu ministério a pregação sobre as últimas coisas, os últimos dias, o princípio de dores, o rapto da Igreja, a Grande Tribulação, o Retorno de Cristo, o Juízo...

(6) Pregava o batismo no Espírito Santo...mas aquele que vem após mim, é mais poderoso do que eu; eu não sou digno de levar as suas sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.” (Mt 3:11)
Por fim, obviamente o pregador pentecostal tem como cerne de sua mensagem e ministério a Pessoa do Espírito Santo, seu caráter, seu poder, seu papel e suas operações. O pregador pentecostal não pode passar muito tempo sem falar de uma das dádivas mais maravilhosas de Jesus Cristo em nós, o batismo no Espírito Santo. Pela omissão dessa mensagem por parte de muitos ministros, há um contingente considerável de pentecostais nominais nas igrejas, ou seja, que pertencem a uma denominação pentecostal, mas sequer sabem algo sobre esse batismo. A pregação pentecostal deve ser completa, e o pregador pentecostal não pode desviar seu foco para os apelos teológicos de nosso tempo.
Ainda falando da origem bíblica da pregação pentecostal, porque não citar um personagem já do Novo Testamento, que embora não tivesse recebido a experiência pentecostal propriamente dita, possuía as marcas de um típico pregador pentecostal, estou me referindo à Apólo. Vejamos sete características: “E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apólo, natural de Alexandria, varão eloqüente e poderoso nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor; e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João. Ele começou a falar ousadamente...” (At 18:24-26a).

(1) Natural de Alexandria.
Sendo cidadão de Alexandria, Apólo certamente tinha acesso e familiaridade com a literatura de sua época, afinal, em Alexandria estava a maior biblioteca de sua época. É imprescindível que um pregador seja dado à leitura, aliás, os primeiros pregadores “leigos” de John Wesley eram constantemente exortados por ele a ler muitos e bons livros ou abandonar seu ministério.

(2) Eloqüente.
Poucas coisas são tão “magnéticas” quanto um discurso feito com eloqüência. Há quem diga que a eloqüência é um dom natural restrito a poucos, porém, tenho visto inúmeros casos de pessoas absolutamente introvertidas e tímidas, após serem tocadas pelo poder do Espírito Santo, se tornarem eloqüentes pregadores; essa é a minha experiência pessoal, um ex-gago, agora pregador. 

(3) Poderoso nas Escrituras.
Não é impossível vermos bons pregadores com pouco conhecimento bíblico, mas os mesmos estão destituídos do poder mais criativo e impactante do universo, o poder da Palavra de Deus. A palavra de Deus põe o Espírito Santo em movimento (Gn 1:1-3), a palavra de Deus é a única coisa que está acima do próprio Deus (Sl 138:2b-VRC). O advento do pentecostalismo trouxe à luz a revelação bíblica sobre o poder de Deus, e este poder está ligado às Escrituras. “...Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” (Mt 22:29). Ninguém pode se dizer poderoso só no Espírito, pois a Palavra é Espírito (Jo 6:63). O poder da pregação está nas Escrituras, do contrário, pregaríamos textos do Corão e veríamos os sinais, mas o Senhor Jesus não confirmará outra coisa senão sua palavra. “E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém!” (Mc 16:20).  

(4) Instruído no caminho do Senhor.
Lamentavelmente estamos vivenciando os tempos de apostasia vaticinados pelo apóstolo Paulo (I Tm 4:2) e o verdadeiro caminho do Senhor tem sido substituído nas pregações modernas, por caminhos alternativos de “baixo custo”. Como pregadores do evangelho, devemos conhecer o caminho do Senhor proposto especialmente no sermão do Monte (Mt 5-7), e conduzirmos as pessoas nesse caminho, e não nas fórmulas dogmáticas de uma religião institucionalizada. O pregador pentecostal é o pregador do fim, e sua mensagem é a pregação do Reino (Mt 24:14).

(5) Fervoroso de espírito.
Poucas coisas são tão deprimentes quanto um pregador apático ou frio. Seria redundante dizer que o fervor espiritual deve ser a marca de cada crente pentecostal, especialmente a pregação. É preciso estar inflamado pela verdade do evangelho, inflamado pela causa do Reino, inflamado pelo amor de Deus. A palavra “fervoroso” aqui é zeo (grego) e significa “zelo ardente” ou “emoção” Nosso culto é racional (Rm 12:1), mas deve conter emoção. A pregação da palavra é um ministério, ou serviço, assim, “não sejais vagarosos no cuidado, sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor.” (Rm 12:11).

(6) Falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor.
Já tive o desprazer de ouvir pregações e ensinos tão destituídos de graça e de conteúdo espiritual, que as ilustrações e tópicos eram extraídos de tudo, desde jogos de matérias de jornal, futebol, filmes, e até novelas; não havia poder, não havia realidade, somente informação e cultura. Já ouvi também mensagens sobre sexo, e sei que muitas pessoas gostam disso, mas eu lhes pergunto: sexo diz respeito às coisas do Senhor ou as nossas coisas? O pregador pentecostal deve ser havido em ensinar as coisas do Senhor com toda dedicação e insistência, a preocupação excessiva em variar a mensagem pode ser danosa. “...Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós.” (Fl 3:1).

(7) Começou a falar ousadamente.
O Espírito de Deus capacita sobrenaturalmente o homem à falar a palavra de Deus, sem exitação, sem timidez, e o pregador pentecostal é especialmente dotado de ousadia divina na exposição do evangelho. Devemos lembrar sempre as palavras de Jesus: “Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso pai é que fala em vós.” (Mt 10:20). A palavra “ousadia” é parrhesia (grego) e significa “elocução sem reservas”, “liberdade de expressão”, “com franqueza”, “coragem alegre”. O pregador pentecostal deve sempre se renovar espiritualmente através da oração, e em sua oração deve estar essa petição: “...concede aos teus servos que falem com toda ousadia a tua palavra...” (At 4:29-30)