segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A OBRA SUBSTITUTIVA DO REI


Os sacrifícios do Antigo Testamento eram substitutivos por natureza; eram procedimentos litúrgicos realizados no altar, através da oferta de um animal perfeito; para o israelita, que não podia fazê-lo por si mesmo. O altar representava o pecador; a vítima era o substituto do israelita para ser aceita em seu favor. Assim, Jesus Cristo assumiu a dívida do gênero humano como o Cordeiro de Deus enviado com este fim. O Rei Jesus nos substituiu em sua obra redentora. Sua morte expiatória era a nossa sentença por nossa realidade pecaminosa (Romanos 6:23a). Todos os rituais de sacrifício do Antigo Testamento eram sombras (Hebreus 8:5, 10:1) que apontavam tipológica e profeticamente para o sacrifício perfeito e definitivo (Hebreus 9:12). Este é o romance profético que narra a história do Rei que deixou a glória de seu palácio para se encontrar com a jovem plebéia. Ele abdica de seus nobres protocolos reais e vem à sua amada como um jovem viril e cheio de paixão. “Esta é a voz do meu amado; ei-lo aí, que já vem saltando sobre os montes, pulando sobre os outeiros.” (Cantares 2:8). Isto pareceria a mera prosa de um poema se não crêssemos no cumprimento literal de Zacarias 14:4. O fato é que o Rei Jesus abdicou da glória celeste, e se fez como plebeu (João 1:1, 14) para vir aqui e noivar com a Igreja, antes, porém, morreu no lugar de sua noiva e com seu sangue “pagou o dote” para casar-se com ela; e deu a ela o penhor do seu próprio Espírito (II Coríntios 1:22, 5:5; Efésios 1:13-14). Assim como na tradição antiga, Ele não buscará a Noiva para o casamento, Ele virá até ela: “...Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro!” (Mateus 25:6b). Ele substituiu a sua Igreja no Calvário para adquiri-la como esposa.      

i-                   O REI ASSUMINDO A MISÉRIA HUMANA
Nada na Terra poderia ser comparado à abundância de que desfrutava o primeiro Adão, especialmente no Jardim chamado Éden. Era a plenitude da riqueza na essência e na literatura da palavra. Deus supriu o homem com toda a abundância da Terra para sua provisão sobeja (Gênesis 1:29-30). Adão tinha acesso a toda abundância e às regiões ricas em preciosos minérios (Gênesis 2:11), com a única responsabilidade de ser o administrador de tudo (Gênesis 2:15) E toda esta glória da Terra Original representava a perfeita vontade de Deus para o homem criado à sua imagem e semelhança. Note que a Queda (Gênesis 3:6-7) além de ter comprometido esta benção da Terra (Gênesis 3:17-18), ainda legou Adão à realidade do trabalho excruciante e penoso (Gênesis 3:19a). A Obra Redentora e Substitutiva do Último Adão (I Coríntios 15:45), Jesus Cristo, diz respeito ao estado do homem em relação à Terra e a sua provisão, “porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que, pela sua pobreza, enriquecêsseis.” (II Coríntios 8:9). Aos que compreendem e crêem nas implicações da Redenção Substitutiva, o suprimento das necessidades não será básico, será em glória (Filipenses 4:19). Pela abundância de sua graça redentora, podemos viver “...tendo sempre, em tudo, toda suficiência...” (II Coríntios 9:8). Devemos estar preparados, como Igreja, para ser provados em qualquer âmbito de nossa existência terrena (Filepenses 4:12-13), porém, devemos compreender o âmago da vontade de Deus a este respeito: “Se quiserdes, e ouvirdes, comereis o melhor desta terra.” (Isaías 1:19).  

ii-                O REI ASSUMINDO A MALDIÇÃO HUMANA
A Benção de Deus era a realidade absoluta do primeiro Adão. Ele andava sob esta benção, vivia nesta benção, desfrutava desta benção. Esta benção estava condicionada a um único critério: a obediência (Gênesis 2:16-17). Após a desobediência deliberada do homem, lhe sobreveio a  terrível maldição do Pecado, pois “...cada um tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado gera a morte.” (Tiago 1:14-15). Assim, o Pecado é uma maldição que gera maldição. Mas se esta Maldição estava irreversivelmente sobre o gênero humano por causa da transgressão de Adão (Romanos 5:12), ou seja, por ser uma maldição pela transgressão, era a maldição da Lei, e a única forma de revogar esta maldição era outro Adão assumi-la para quebrá-la definitivamente. O Último Adão assim o fez: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo maldição por nós, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro.” (Gálatas 3:13). Jesus Cristo foi o substituto legal da maldição que estava sobre nós. Estando em Cristo não há mais maldição, portanto, toda maldição enviada contra os redimidos e substituídos, é como o pássaro no seu vaguear, e como a andorinha no seu vôo, não virá (Provérbios 26:2). A maldição veio pelo primeiro Adão que caiu, mas a benção veio pelo Último Adão que nos substituiu e venceu. “...porque, se, pela ofensa de um, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.” (Romanos 5:15). 

iii-              O REI ASSUMINDO A ENFERMIDADE HUMANA
A penetração da maldição do Pecado no homem gerou conseqüências devastadoras em sua composição física. As células de Adão que até a Queda eram imortais e incorruptíveis, iniciaram seu processo degenerativo em direção à morte. Doenças, pragas, pestes, epidemias, todos estes males que combatem contra a saúde humana, são conseqüências diretas do Pecado Original. A expectativa de vida biológica do homem tornou-se cada vez menor ao longo dos séculos (Gênesis 5:1-32; 6:3). Assim como os efeitos nefastos do Pecado tem sido gradualmente destruidores no corpo humano, os gloriosos efeitos da Redenção são gradualmente restauradores durante os séculos. No corpo do Último Adão, Jesus, teve início a restauração do corpo do homem, pois Cristo foi também o substituto legal da condenação das enfermidades, levando sobre si todas as nossas doenças para que pelas suas feridas fossemos curados (Isaías 53:4-5). O apóstolo Pedro confirmou isto ao declarar: “levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.” (I Pedro 2:24). Saúde é o plano e o desejo de Deus para todos os redimidos (III João 2). Antes da Segunda Vinda de Cristo estaremos vivendo o ápice dessa Restauração (Atos 3:19-21), em que não somente a expectativa de tempo de vida aumentará, mas até mesmo a mortalidade infantil será erradicada: “Não haverá mais nela criança de poucos dias, nem velho que não cumpra os seus dias; porque o jovem morrerá de cem anos, mas o pecador de cem anos será amaldiçoado.” (Isaías 65:20). Ele nos substituiu para que vivamos muitos anos (Salmo 91:16). Evidentemente, até o glorioso Dia da Ressurreição (por ocasião da Segunda Vinda de Cristo), precisaremos dos dons de cura (I Coríntios 12:9), e ela está à disposição de todos os redimidos (Tiago 5:14-15), pois esta é a natureza de Deus revelada em Cristo, nosso Substituto:  “...eu sou o Senhor, que te sara.” (Êxodo 15:26).  

iv-              O REI ASSUMINDO O PECADO HUMANO
A centralidade da obra substitutiva está no fato do Pecado. O Pecado é a fonte de toda calamidade, desgraça, e mal da humanidade, assim, o Pecado do gênero humano contraído pelo primeiro Adão, precisava, no prisma da justiça de Deus, ser assumido pelos transgressores (nós), através de um ato expiatório definitivo. O Último Adão, e Rei, Jesus Cristo, nosso Salvador, assumiu esta impagável dívida da raça humana. A espécie de Homem mais perfeita que já existiu, foi o sacrifício perfeito (João 1:29) que Deus aceitou e se agradou (Isaías 53:10a), portanto, Nele, somos feitos não somente justos e justificados, mas a própria justiça de Deus. “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (II Coríntios 5:21). Todo ser humano na face da Terra deve compreender a natureza singular de Cristo e a abrangência de sua obra redentora na cruz, pois “...ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados.” (Isaías 53:5). Na verdade, Deus, o Criador, colocou na Terra somente dois Homens, um criado (Gênesis 1:27), e outro gerado (Hebreus 1:5), e os mesmos por sua vez, deram origem duas gerações de homens segundo a sua espécie. Esta é parte essencial do Evangelho do Reino: “porque, como, pela desobediência de um só homem [o 1º rei, Adão], muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um [o Último Rei, Jesus], muitos serão feitos justos.” (Romanos 5:19). O Último Adão e Rei, Jesus Cristo, “...é a propiciação [substituição] pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (I João 2:2). Para entrarmos nos direitos dessa substituição e receber o a justiça divina em nós, basta trocarmos de lei (Romanos 8:1-2), e vivermos no Espírito, pois Deus, “...enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne, para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.” (Romanos 8:3-4).

Conclusão
Sim, esta é a grande e verídica história do Grande Rei, que condenou à morte (com justiça) por rebelião seus filhos que estavam em outra colônia do reino, mas, para poupá-los da execução dessa condenação, enviou seu amado Filho, o herdeiro de seu trono, para esta colônia, para viver entre seus irmãos, viver suas emoções, sofrer suas tentações, sentir suas dores, e, por fim, ser morto por seus irmãos, para que, através de sua morte ele pagasse a dívida dos mesmos. Após isto, cabe agora a esses irmãos se arrepender, e crer nesse poder redentor do Rei que foi morto, porém, ressurgiu de entre os mortos, e reconhecê-lo como Senhor de suas vidas para reinar juntamente com Ele (Romanos 5:17). Deus Todo Poderoso, enviou seu Filho Jesus Cristo (nosso “irmão mais velho”), feito homem, para interagir em nossa realidade, morrer por nossos pecados, e nos trazer de volta à família real. O que cada homem tem a fazer é crer com o coração, confessar com os lábios, e viver à altura desta fé (Romanos 10:8-11; Gálatas 2:20). O Rei foi nosso SUBSTITUTO em toda nossa condenação. Glória a Deus! 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A REDENÇÃO COMPLETA DO REI


Introdução

A mensagem do Evangelho do Reino é uma mensagem essencialmente redentora em seu conteúdo, pois diz respeito a uma primeira espécie real que fracassou trazendo a morte e o caos para toda a criação e criaturas, e sobre o Rei que, fazendo-se servo, trouxe restauração desse estado caótico através de sua obra expiatória, estabelecendo assim, o Reino que o Criador anelava desde o princípio. O fato é que ao longo dos séculos o caráter pleno e definitivo desta poderosa obra redentora tem sido diluído pela teologia, tornando assim a Igreja uma “peregrina intrusa” na Terra, que é encorajada por essa teologia a não empreender esforços de conquista aqui, pois anseia por um ideal relativo de céu. Esse escapismo que tem sido a escatologia predominante a pouco mais de um século, que fala de uma forma de “arrebatamento invisível” que tirará a Igreja de sua labuta terrena, produziu uma mentalidade derrotista na Igreja que deveria ser militante, restringindo a obra da Redenção meramente ao âmbito da alma humana. A Redenção efetuada por Jesus Cristo, como já dissemos anteriormente, foi completa, tanto com relação à criação inanimada, como à criatura, “todas as coisas”. (Colossenses 1:20). E especialmente a criatura, tem sido redimida em sua totalidade, apenas aguardando uma coroação definitiva, que dentre outros aspectos nos garante um corpo glorificado (I Coríntios 15:52-58).

i-                    A REDENÇÃO DA IMAGEM DIVINA NO HOMEM

A diferença de uma imagem de TV normal, HD, Full HD ou ruim e cheia de chuviscos, é a sintonia com o satélite. Se movermos o receptor exatamente em direção à face do satélite, teremos uma imagem perfeita, e qualquer desvio dessa posição poderá comprometer a qualidade da imagem. A obra redentora de Cristo possibilitou ao homem, outra vez mover seu coração em direção à face do Deus Criador. O primeiro Adão começou a perceber as primeiras “interferências” na imagem divina em si quando colocou seu “receptor” debaixo de uma árvore proibida; até então ele não havia perdido a imagem de Deus (Gênesis 1:27), mas ao comer do fruto, logo ele percebeu que tudo ao seu redor começou a perder a beleza, a vida e cor, inclusive ele. Era necessário erguer num lugar elevado, uma “antena” de alta qualidade para restaurar ao homem uma imagem de alta qualidade; mas somente alguém perfeitamente qualificado poderia erguer essa antena sob a tempestade da ira de Deus. Quatro mil anos depois de péssima imagem, Jesus Cristo, no alto do Monte Calvário “fixou” a cruz diante do Pai, e através dela, para o corpo de Jesus convergiram todos os pecados do homem caído, e consequentemente, toda ira de Deus recaiu sobre ele, para que a humanidade fosse restaurada pela fé à imagem divina. Desde a eternidade Jesus nos predestinou para ser à sua imagem (Romanos 8:29). O que é maravilhoso, é que em breve, a qualidade de imagem dos filhos de Deus será ainda superior. “E, assim como trouxemos a imagem do terreno [Adão pós-Queda], assim traremos também a imagem do celestial [Cristo glorificado].” (I Coríntios 15:49).

ii-                  A REDENÇÃO DA AUTORIDADE DIVINA NO HOMEM
Como já dissemos, o texto áureo da delegação da autoridade real divina ao homem é Gênesis 1:26 “...Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine...” O substantivo domínio, em sua tradução original (hebraico) é “RADAH”, que significa: REINO, SOBERANIA, GOVERNO. Assim, o propósito original do Criador era que o homem estabelecesse aqui na Terra um Reino soberano e a governasse sob a regência e as qualidades do céu. Como todas as demais graciosas dádivas da Criação Original, com a Queda, essa autoridade foi perdida. E assim como todas as demais dádivas perdidas, a Redenção restaurou também a Autoridade do homem (redimido). O homem redimido possui autoridade divina sobre (1) o Mundo (I João 4:5); (2) o Pecado (Romanos 6:14); e (3) o Diabo (Lucas 10:19). Não resta neste universo nenhuma forma ou fonte de autoridade que não tenha sido transferida ao Senhor Jesus Cristo, e foi com essa autoridade que ele nos comissionou e enviou. “...É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide, ensinais todas as nações...” (Mateus 28:18-19). A Igreja como Agência do Reino de Deus na Terra, neste tempo do fim, exercerá sua Autoridade Real sobre todo este sistema corrompido chamado “mundo” (do grego “cosmo”), vivenciará um tempo de santidade coletiva sem precedentes na história exercendo essa autoridade sobre a força do pecado, e como nunca antes, destruirá todas as fortalezas das trevas neste planeta. Esta autoridade, ou poder delegado, consiste na suprema realidade da habitação de Deus em nós, redimidos (Colossenses 1:27), pois Ele nos enviou seu próprio Espírito para nos garantir tal poder (Atos 1:8). 

iii-                A REDENÇÃO DA COMUNHÃO DIVINA NO HOMEM
A maior dádiva de Deus para o homem era sua inigualável comunhão. A palavra comunhão (gr. “koinonia”) significa: intimidade, cumplicidade, amor etc. O tipo de relacionamento entre Deus e o homem não estava baseado em alguma mediação humana ou ritual, era uma amizade reverente entre Pai e filho. O primeiro rei, Adão, abdicou desta maravilhosa dádiva dando ouvidos à Serpente. Adão e toda a espécie humana perderam esta comunhão paterna com o Criador e Pai. Mas o último Adão, o Rei Jesus redimiu este relacionamento, tornando outra vez possível este relacionamento íntimo e glorioso. A Obra Redentora de Cristo Jesus reconciliou o homem com Deus, “isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação.” (II Coríntios 5:19). Na verdade, toda a criação foi reconciliada a Deus por meio daquele poderoso e precioso (I Pedro 1:18-19) sangue vertido na cruz. “porque foi do agrado do pai que toda a plenitude nele [o Rei Jesus] habitasse e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele [do Rei Jesus] reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus.” (Colossense 1:19-20). A reconciliação foi completa através das Redenção do Rei.

iv-                A REDENÇÃO DA GLÓRIA DIVINA NO HOMEM
O tipo de comunhão supracitada estava além do mero testemunho interior do Espírito Santo no espírito do primeiro rei (Adão), na verdade, Adão era constantemente envolvido por uma experiência de êxtase indescritível, seus olhos nunca viram alguma manifestação antropomórfica (forma humana) de Deus (I Timóteo 6:16). Perdida esta comunhão o ponto de contato para ao menos vislumbrar a glória de Deus era a invocação de seu nome iniciada por Enos (Gênesis 4:26), pois desde então, todo homem oriundo da “primeira espécie”, foi completamente destituído da glória de Deus (Romanos 3:23). Moisés desfrutou de uma discreta e diluída fração desta glória no Monte Horebe (Êxodo 34:29-30), mas o fato é tudo era apenas lampejos do desejo de Deus de restaurar o homem à sua glória. Eis aqui a glória do último e glorioso Rei Jesus, o Cristo: Ele restaura o homem à glória de Deus justificando-o por sua graça e REDENÇÃO. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.” (Romanos 3:23-24). Em Cristo, somos não mais expostos à glória de Deus externamente, mas esta glória divina é depositada em nós, brilha em nós, e cresce em nós à medida que absorvemos a imagem de Cristo (II Coríntios 3:13-18). O Rei Jesus Cristo em nós, esperança da glória definitiva (Colossenses 1:27), assim, reinamos em vida por Ele (Romanos 5:17).

Conclusão

A plenitude desta poderosa Redenção é o fato do Evangelho do Reino. Deus, em Cristo consumou todas as coisas, redimindo tudo e resgatando para si mesmo. Desde a obra redentora do Calvário, os efeitos da mesma, vem fazendo convergir para Deus, através da Igreja, todo o universo. O Rei Jesus Cristo é a Pedra, que já foi lançada sobre a Terra, e já deu início ao Reino que que consumirá todos os reinos da terra e não terá mais fim (Daniel 2:44). Não se engane, esta profecia de Daniel se cumpriu no primeiro advento do Rei Jesus. Daniel teve a visão do Cristo vencedor entrando na presença do Pai após ter consumado a obra da cruz, recebendo o Reino e o o poder para sempre. “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar a ele. E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino, o único que não será destruído.” (Daniel 7:13-14). A Redenção do Rei foi plena, completa e definitiva, e culminará em breve diante de toda a Terra, diante de nossos olhos. Aleluia!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O REI COMO ESPÉCIE REDENTORA


A declaração de André ao seu irmão Simão Pedro ("Achamos o Messias") foi no mínimo bombástica considerando o contexto histórico, religioso e político daquela época. O messianismo é mais do que uma questão de religiosidade judaica, é um ideal humano, um conceito que está encubado no inconsciente coletivo. Sim, o gênero humano tem em sua própria natureza o sentimento de uma necessidade inerente e latente de Redenção. Simplificando este conceito, o ser humano sente que em algum momento de sua existência como espécie, tudo estava bem e perfeito, mas que algo aconteceu que desestruturou e desestabilizou essa harmonia vital, e a gora, suas almas clamam inconscientemente por essa redenção que, na verdade, só pode ser efetuada por um Redentor.
Este ideal messiânico está arraigado nas culturas sociais, exemplo disso é o messianismo norte-americano revelado na criação de personagens mitológicos que trazem salvação para o povo americano exaltando sua identidade nacionalista: Rambo, Rock Balboa, Superman, Capitão América, além da filmografia moderna que apresenta novos "messias": Neo, o salvador de Matrix e Avatar. Na candidatura do presidente Barack Obama a nação, em especial a grande comunidade afro-americana, depositou nele essa esperança messiânica: o negro eleito presidente quarenta anos depois da morte de outro negro: Martin Luther King Jr, o mártir dos direitos civis dos negros em uma América segregada. No Brasil o ideal messiânico aspira um líder que saia "do meio do povão" e governe para o povo resolvendo todos os problemas do Brasil. Mal sabe a humanidade que sua espécie já foi redimida, e a espécie redentora foi singular, única; e sua obra redentora foi definitiva. O Rei dos reis (Deus Filho) assumiu a forma humana para satisfazer a perfeita justiça divina.

O PRIMEIRO REI SUBMETEU A CRIAÇÃO AO CAOS

A indagação que não cala no coração da humanidade, é o porquê de tanta destruição, dor, enfermidade, morte, sofrimento, guerras, poluição... Ignorantemente o homem tende a atribuir a Deus toda esta condição caótica, mas é na rebelião do homem contra Deus que se encontra a resposta, pois o homem entregou “o documento” de propriedade ao príncipe usurpador, o Diabo, sujeitando a criação ao caos. “Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou.” (Romanos 8:20). O primeiro rei, Adão, colocou toda a terra, a criação original, à mercê de Satanás, que desde então tem legalidade para fazer sua obra, matar, roubar e destruir (João 10:10a). O plano original do Reino de Deus na Terra não incluía o Pecado e suas consequências: morte, doenças, injustiça, depressão e condenação. Deus criou o homem para reinasse continuamente sobre a Terra. E a Terra por sua vez, não sofreria alterações em seu meio ambiente e equilíbrio do ecossistema, e na natureza dos animais. A partir do Pecado Original, o solo recebeu a maldição (Gênesis 3:17), assim como o céu atmosférico, os mares, os seres vivos, a natureza humana, tudo foi contaminado e iniciou sua deterioração total. Eis a origem de todos os males globais que sociólogos, ecologistas, filósofos, psicólogos, antropólogos e outros ramos da ciência não puderam encontrar. O problema deve ser sanado na fonte.

O PRIMEIRO REI SUBMETEU A TERRA AO PRÍNCIPE USURPADOR

Utilizando o corpo da serpente, o anjo caído, Satanás seduziu e enganou a primeira mulher, Eva, com sua sagacidade e astúcia (Gênesis 3:1-7; II Coríntios 11:3), assim, como já dissemos, ele assumiu o governo de toda a Criação, a Terra e os homens. Porém, o Diabo sabia desde o início, que seu império satânico seria desfeito pela manifestação da semente da mulher. “E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3:15). Enquanto a poderosa Semente de Deus não se manifestava, Satanás reinava absoluto, oprimindo, escravizando, matando, e estendendo seu projeto nefasto de morte, roubo e destruição por toda a Terra. Ele é o príncipe das potestades do ar e tem autoridade sobre todos os que são desobedientes ao Evangelho (Efésios 2:2; 5:6). Antes da obra do Calvário ele tinha livre curso sobre a Terra que lhe pertencia (João 14:30). Tendo ostentado a posição de pseudo-divindade sobre a Terra, o Diabo tem, juntamente com seus suas hostes demoníacas, empreendido esforços para impedir qualquer tipo de esclarecimento ou iluminação espiritual por parte do gênero humano, luz esta que somente pode vir através do Evangelho da glória de Cristo, que é o Evangelho do Reino. “Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” (II Coríntios 4:3-4). Até a Redenção a Criação estava sob a autoridade usurpada de Satanás, o príncipe regente da humanidade até então.

O SEGUNDO REI INICIOU A RESTAURAÇÃO TOTAL

Por causa da decadência do primeiro rei, a Criação ficou completamente sujeita às obras de um novo príncipe, o Diabo. E suas obras tinham livre curso, por causa da realidade do Pecado no homem; até a chegada do segundo e último Rei, Jesus Cristo, pois, “Quem comete o pecado [vive no pecado] é do diabo, porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo.” (I João 3:8). O Pecado e suas consequências foram removidos pela Obra restauradora do Rei Jesus, pois Ele é “...o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” (João 1:29; Apocalipse 5:12). “Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos.” (Romanos 5:19). Toda a Criação ficou sob maldição por sua separação do Criador, mas em Cristo todas as coisas são reconciliadas com Deus. “porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão no céu.” (Colossenses 1:20). Todas as coisas inclui o ser humano em sua composição plena: espírito, alma e corpo; inclui também o ecossistema, o solo, os animais, o céu atmosférico, em fim, todas as coisas foram reconciliadas, restauradas. Assim, basta que nos apoderemos das bençãos da Redenção, que já nos foram doadas (Efésios 1:3). Jesus começou a restauração total, e nós, como Igreja “que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Efésios 1:23), concluiremos esta restauração antes da gloriosa vinda do Rei dos reis (Atos 3:19-21).

O SEGUNDO REI DERROTOU E DESPOJOU O PRÍNCIPE USURPADOR

O último Rei, Jesus Cristo veio para desfazer as obras do príncipe das trevas (I João 3:8). Quando veio a voz de Deus a Jesus dizendo: “Já o tenho glorificado e outra vez o glorificarei.” (João 12:28), então, o Rei declarou previamente a derrocada do falso príncipe dizendo: “...Não veio esta voz por amor de mim, mas por amor de vós. Agora, é o juízo deste mundo; agora, será expulso o príncipe deste mundo.” (João 12:30-31). A obra expiatória do calvário foi a derrota definitiva do Diabo. Na verdade, o Diabo lutou durante os anos de vida terrena de Jesus, para que Ele não fosse à cruz, pois o Diabo ouviu João Batista proclamar Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29), assim, ele sabia que a morte vicária de Jesus Cristo anularia a realidade do Pecado no gênero humano. Satanás e suas hostes foram derrotados na cruz. O Diabo tinha a cédula que era contra nós, mas Jesus Cristo a riscou, a tirou do meio de nós e a cravou na cruz; Jesus despojou os falsos príncipes, os expôs para toda a Criação e deles triunfou de uma vez por todas. “havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.” (Colossenses 2:14-15). O único poder que Satanás ainda consegue exercer sobre o homem, é através do engano. Ele foi destronado, ele foi envergonhado, ele foi destituído de sua autoridade. Agora, em Cristo, toda a autoridade é transferida para aquela que está assentada em lugar de autoridade e governo, a Igreja. “e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar em lugares celestiais, em Cristo Jesus.” (Efésios 2:6).

Conclusão

A Redenção é a mensagem central do Evangelho do Reino. O primeiro rei, Adão entregou a autoridade sobre a Criação para o príncipe usurpador, Satanás. O último Adão, o Rei Jesus Cristo, efetuou a obra redentora na cruz do Calvário, consumando a restauração de toda a Criação. Assim, feitos à imagem do Rei Jesus, e tendo recebido Sua autoridade, temos posição real no plano redentor desde então. Em Cristo, fomos reinseridos na real, a família de Deus.

sábado, 7 de julho de 2012

AS DUAS ESPÉCIES DE REIS



É importante considerar que no que tange ao gênero humano, Deus gerou apenas dois homens em todas as gerações, ou, duas espécies, cada um deles chamados “Adão”. Na verdade, tanto um quanto o outro receberam uma incumbência real, ou seja, a responsabilidade de governo ou principado. Cada uma dessas espécies deu origem a gerações de homens à sua imagem. O primeiro Adão foi feito alma vivente (Gênesis 2:7), e embora ele possuísse atribuições intelectuais, morais, físicas e espirituais absolutamente puras, ele era incapaz de esta perfeição da criação original à sua descendência, o que ficou provado por sua Queda; Adão, como alma vivente apenas vivia, mas não podia transmitir vida. Já o último Adão, Jesus Cristo, foi enviado no mesmo nível de perfeição, porém dotado do poder de vivificar o estado de Morte contraído por Adão. “Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente; o último Adão, em espírito vivificante.” (I Coríntios 15:45) Note, esta era a composição do ser em Adão: Uma alma corruptível dentro de um corpo incorruptível. Já a composição do Ser em Cristo era: Um Espírito incorruptível dentro de um corpo corruptível. Porém, somente Jesus Cristo ressuscitou, assim, Ele continuou sendo Espírito incorruptível, e agora, com um corpo incorruptível; e Jesus foi o primeiro a passar por essa gloriosa metamorfose, e assim, ele transmitiu a toda espécie segundo a sua imagem que desfrutem desta glória na eternidade futura. “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda.” (I Coríntios 15:22-23). Hoje, em Cristo, nosso ser consiste em: um espírito incorruptível, que possui uma alma eterna, e habita dentro de um corpo temporariamente corruptível.
   
UM REI QUE DESEJOU SE IGUALAR AO REI DOS REIS

Deus impôs ao seu primeiro rei representante, Adão, um limite de obediência através da árvore chamada “do conhecimento do bem e do mal” sob pena de morte; O Inimigo de Deus e dos homens seduziu o primeiro casal a crer no contrário: “...Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.” (Gênesis 3:4-5). A sedução não foi de conhecer bem e mal, e sim, de ser igual a Deus. O que os reis Adão e Eva não entenderam, é que eles já eram iguais a Deus (Gênesis 1:26-27). Adão possuía a natureza de Deus no que tange à imagem e a semelhança, espiritual e moralmente, porém, fora privado de conhecer a Lei Moral, ou seja, o conhecimento e a opção entre certo e errado, bem e mal. E desde o início, o plano do Diabo é relativizar o conceito de bem e mal, mas na concepção divina estes conceitos são sempre absolutos (Isaías 5:20). O rei Adão perdeu a sua glória, pois desejou uma glória sublime e única, a de Deus, como estrelas ostentando a glória do Sol (I Coríntios 15:41).

UM REI QUE PROCLAMOU SUA INDEPENDÊNCIA

Como já dissemos o primeiro rei enviado por Deus, desejou sua independência e deu início a “República do Governo Humano”. O gênero humano passou a viver e andar sob a égide de seus próprios sentidos corrompidos pela ação degenerativa do Pecado. Adão transmitiu ao Diabo a procuração de autoridade, principado e pseudo-divindade sobre a Terra e a raça humana (II Coríntios 4:4; Efésios 2:2; João 14:30; 16:11). O homem não foi criado para ser independente de Deus e de sua Graça. Há um vazio intrínseco na natureza humana afastada de seu Criador, e o homem, por sua vez busca inconscientemente preencher este vazio com auto satisfação de seus desejos e sentidos, mas “...tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” (I João 2:16-17). Não existe de fato independência humana, pois, os falsos mestres que prometem essa falsa liberdade, “...falando coisas mui arrogantes de vaidades, engodam com as concupiscências da carne e com dissoluções aqueles que se estavam afastando dos que andam em erro, prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo.” (II Pedro 2:18-19). Jesus, o Rei dos reis, declarou a suprema verdade: “...sem mim nada podereis fazer.” (João 15:5b). O velho Adão que habita o homem não regenerado sente-se independente e por isso perece; o novo homem, habitado por Cristo, é dependente Dele, e por isso, reina em vida (Romanos 5:17).

UM REI IGUAL AO REI DOS REIS

O primeiro rei foi dotado da imagem e semelhança de Deus, mas não essencialmente de sua natureza divina, pois como já estudamos, ele era apenas alma vivente. Diferentemente de Adão, o Último Rei, Jesus Cristo, foi uma corporificação do Criador, ou seja, Deus feito homem. Jesus nunca foi criado, Ele é o Filho de Deus que nos foi dado como dádiva redentora (Isaías 9:6); Jesus foi gerado superior aos anjos e na concepção e natureza divina (Hebreus 1:5), e introduzido no mundo como digno de adoração até mesmo dos anjos (Hebreus 1:6). E a Escritura ratifica a divindade e a realeza de Jesus Cristo em Hebreus 1:8: “Mas, do Filho diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino.”. Ao ser indagado por Filipe sobre a imagem visível de Deus Pai, o Rei Jesus declara: “...Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai...” (João 14:6). Jesus é a Palavra, o Verbo eterno e divino que coexiste com o Pai (Deus Todo Poderoso) e que encarnou. “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” Tudo o que diz respeito a Deus, seus atributos, seu caráter, sua obra está em Cristo. A plenitude de Deus está revelada em Jesus Cristo. “porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Colossenses 2:9). Jesus Cristo, o Rei semelhante ao Rei dos reis.

UM REI QUE REESTABELECEU O GOVERNO DO CÉU

Jesus jamais intentou trazer uma nova religião a Terra. Ele jamais planejou estabelecer o que concordantemente, conhecemos e denominamos cristianismo. O conceito de cristianismo hoje consiste em mais um ideal religioso que compete com outras religiões antigas como hinduísmo, budismo, e islamismo. Os fundadores dessas religiões eram considerados seus “profetas”, assim, empreenderam seus esforços na disseminação de meras doutrinas. Jesus, embora dotado de credenciais proféticas, era mais que um profeta. Sua missão era mais “política” do que religiosa, pois não se lê em parte alguma das Escrituras que veio trazendo em seus ombros um grande pergaminho de novos dogmas religiosos, nem tão pouco, uma nova divindade. A Bíblia diz: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros...” (Isaías 9:6a). Jesus inicia o seu ministério proclamando: “...Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus.” (Mateus 4:17), e narrativa dos mesmo Evangelho declara o tríplice ministério de Jesus: “E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.” (Mateus 4:23). Seu poder sobre o império das trevas revelou a manifestação prévia do reino de Deus entre os homens (Mateus 12:28). O Reino de Deus foi trazido por ocasião da primeira vinda de Cristo, de forma espiritual, mas culminará com sua manifestação literal e visível nos últimos dias, antes do governo definitivo do Senhor sobre a Terra (Atos 3:19-21). Até o momento da estada humana de Jesus entre nós, este Reino veio invisivelmente (Lucas 17:20-21). Indagado por Pilatos acerca de sua realeza, Jesus disse: “...o meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, lutariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus, mas, agora, meu Reino não é daqui.” (João 18:36). Note o termo sublinhado e em negrito, “agora”. Com esta terminologia referente a tempo, Jesus está dizendo: “por enquanto meu Reino não é daqui”. Jesus em breve estabelecerá seu governo literal com sede em Jerusalém, e reinará sobre toda a Terra (Miquéias 4:1-4). O governo do céu renegado no Éden foi restaurado no Gólgota. Aleluia!

Conclusão

Nós, nascidos de novo e regenerados pela Obra do Espírito, somos parte da nova “linha de produção da segunda espécie”. Somos a geração do Último Adão. Somos reis com a natureza do Rei dos reis (II Pedro 1:3-4). Neste tempo derradeiro da Igreja, há uma manifestação poderosa do Espírito de sabedoria e revelação, que nos fará vislumbrar a glória de nossa posição em Cristo Jesus (Efésios 1:17-23). O primeiro rei está morto em nós, mas o último Rei nos habita (Gálatas 2:19-20).


Obs.: Este e outros textos sobre o Reino de Deus de autoria do Pastor Enéas Ribeiro, são parte integrante da série de ensinos da EDR (Escola de Discipulado do Reino). A EDR é uma Escola Bíblica gratuita e de profundidade bíblica e teológica, que visa equipar os santos na visão da Reforma Apostólica do Reino de Deus, formando genuínos avivalistas e embaixadores do Reino. Participe. Todos os Domingos às 9:00hs na COGIC – Missão da Fé Apostólica, na Rua Dr. Galvão Guimarães, 126 – Jardim Santa Adélia, São Mateus, SP (em frente ao Terminal de Troleibus de São Mateus, ao lado do Hospital Maternidade MASTER CLIN).

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O PROPÓSITO ORIGINAL DO REINO DE DEUS



Por séculos o supremo propósito de Deus tem sido subjugado pelos empreendimentos alternativos da Igreja. A Igreja, destituída da plenitude do ministério profético se privou de uma visão ampla da revelação redentora de Jesus Cristo. Este eterno e grandioso propósito divino é a vinda de seu Reino à Terra, em sua totalidade e glória visível. A institucionalização da Igreja a ostentou acima deste imensurável propósito, assim, a Igreja assumiu proporções maiores do que o próprio Reino de Deus na mentalidade e no ideal da cristandade. Mas agora, a revelação deste supremo propósito está sendo gloriosamente dada à sua Igreja em todas as partes do globo. Em todos os ambientes encontramos cristãos do Reino compartilhando esta revelação em todos os níveis da sociedade; ainda não ocorrem grandes cruzadas e conferências de pregação do Evangelho do Reino, mas há uma difusão discreta, porém, crescente desta mensagem, que nada mais é do que a renovação da mensagem dos primeiros discípulos, e do próprio JESUS. É literalmente o cumprimento das parábolas do Reino: “E dizia: A que é semelhante o Reino de Deus, e a que o compararei? É semelhante ao grão de mostarda que um homem, tomando-o, lançou na sua horta; e cresceu e fez-se grande árvore, e em seus ramos se aninharam as aves do céu. E disse outra vez: A que compararei o Reino de Deus? É semelhante ao fermento que uma mulher, tomando-o, escondeu em três medidas de farinha, até que tudo levedou.”. Entendamos este eterno propósito divino.

A TERRA COMO EXTENSÃO DO CÉU
É na Criação original que Deus revela o supremo propósito de seu Reino. Este propósito sempre foi que a Terra criada fosse uma extensão do Céu, ou seja, Deus criou a Terra e colocou o homem aqui para trazer o governo do céu para a Terra. Este propósito não foi alterado, na Terra será estabelecido o Reino de Deus e sua vontade. “Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu.” (Mt 6:10). O governo do céu já está sendo restaurado na terra em nossos dias, e o homem nascido de novo e recriado à imagem do Filho de Deus, Jesus Cristo, está reassumindo sua autoridade e domínio perdidos no Éden. Este estado de restauração da obra e da criação divina culminará com a Vinda em glória do Rei dos reis, o Senhor Jesus (At 3:19-21). A Terra será totalmente restaurada a uma condição de paz, igualdade e fraternidade, sob o governo piedoso e o cetro de equidade do Senhor.

A TERRA COMO COLONIA REAL DO CÉU
Um príncipe não pode se tornar rei no território de seu pai (o rei) antes de sua morte. Por exemplo: O Príncipe Charles não poderá reinar sobre a Inglaterra enquanto a Rainha Elizabeth não morrer. A única forma política de um príncipe tornar-se rei é quando o rei lhe concede um território fora do reino para governar. Por exemplo: o Príncipe Dom Pedro não podia ser rei em Portugal, pois seu pai Rei Dom João estava vivo, então, Dom concedeu ao filho uma terra conquistada para reinar, o Brasil, assim, o Brasil era uma colônia de Portugal governada por príncipe regente que reinava sobre todo o território brasileiro. Muito embora Deus seja de fato o Rei de toda a Terra, Ele nos presenteou com ela, como expressa o Salmo 115:16 diz: “Os céus são céus do Senhor; mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens”. Perceba: Deus nunca morrerá, e os homens jamais poderão reinar nos céus, então, Deus estabeleceu o gênero humano na Terra para serem senhores e reinar sobre ela (Gênesis 1:26-30; 2:7-9), por isso Deus é chamado O Rei dos reis e Senhor dos senhores (Apocalipse 19:16). Assim como o Reino de Deus se tornou realidade entre nós por ocasião da manifestação do Rei Jesus, nós, como Igreja, tivemos nosso governo restaurado desde então. Nós reinamos e reinaremos (Romanos 5:17; Apocalipse 5:10)
O HOMEM COMO PROMOTOR DA VONTADE DE DEUS
Não nos enganemos, porém, pois assim como Dom Pedro era representante dos interesses do reino de Portugal na Colônia brasileira, o homem deve ser representante dos interesses do Reino dos Céus na Terra. E foi aí que começou o problema: assim como Dom Pedro, às margens do Rio Ipiranga “proclamou a independência” de Portugal, Adão, às margens dos rios Pisom, Gion, Hidéquel e Eufrates proclamou a independência do Reino dos Céus com o grito silencioso diante do fruto proibido (Gênesis 3:1-7). O homem foi criado para ser a expressão personificada da vontade de Deus aqui na Terra, o supremo promotor dessa soberana vontade, assim, o afastamento do homem, de seu Criador, Deus, é uma rebelião de proporções cósmicas. A oração ensinada pelo Senhor roga: “Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu.” (Mateus 6:10). O processo pelo qual o homem caído deve passar para voltar a compreender a vontade de Deus, é a renovação da mente, e o prefixo ‘re’ desta palavra renovação fala de tornar à origem, começar do princípio. Que princípio? O estado edênico, ou seja, a condição do homem criado no Éden antes de sua pavorosa Queda. Mas este processo de renovação somente pode ter início na mente daqueles que não se amoldam aos padrões deste atual sistema mundial que é contra tudo o que diz respeito ao Reino de Deus. “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2).

O HOMEM COMO REI DA COLONIA REAL
Por muitos anos os teólogos ultra-ortodoxos refutaram com veemência e até certa intemperança os professores do movimento chamado Palavra da Fé, e é bem verdade que seus ensinos possuem alguns extremos (mas quem de nós não possui extremos teológicos), porém, aquilo que soou em alguns “ouvidos apologéticos” como triunfalismo e ganhou o nome de “teologia da prosperidade”, renovou a compreensão da cristandade em aspectos cruciais da vida. Acreditamos na realidade de uma teologia do contentamento, mas não podemos mais viver aprisionados a uma “teologia da miséria”. Precisamos sempre reconhecer nosso estado antes de sermos aceitos na família real de Deus, mas precisamos também, agora como filhos, reconhecer nosso estado restaurado e renovado. “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine...” A palavra domine do grego ‘radah’, significa “reine”; “governe”; “seja soberano”. Este estado de governo do primeiro Adão antes da Queda foi restaurado pelo último Adão na Redenção (I Coríntios 15:45; Romanos 5:12-16), e é nele, em Jesus Cristo, que nossa condição de autoridade foi restaurada, agora, em vida reinaremos por Ele; mas estas verdades devem nascer em nosso espírito recriado, e não apenas em nossa mente. “Porque, se, pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça e do dom da justiça reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.” (Romanos 5:17). Somos reis sim.

domingo, 3 de junho de 2012



A terapia da perseguição
Mateus 5:10-12

      Introdução
O dia 03 de Junho foi estabelecido como o DIP, Domingo da Igreja Perseguida, assim, segue abaixo uma porção da mensagem que ministrei na COGIC Missão da Fé Apostólica neste dia. 

1-      Peneirados pela Perseguição

Acredito que nada na história da Igreja a tornou tão madura e poderosa quanto a perseguição, por isso a trato aqui como uma terapia divina.
O aspecto positivo mais forte da perseguição é a sua extraordinária capacidade de diferenciar, distinguir e selecionar os verdadeiros dentre os falsos. Em todo período de perseguição sempre houve os mártires e os heróis da fé que optavam por perder a sua vida, mas não negavam sua fé em Cristo (Mateus 16:25). Por outro lado, a perseguição sempre revelou a mediocridade espiritual de crentes “light”, cuja fé está apenas fundada nas promessas dos bens do presente (1ª Coríntios 15:19). E não se engane meu irmão, nestes tempos do fim haverá aqueles que negarão sua fé (1ª Timóteo 4:1), porém, “mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mateus 24:13). Quando Paulo estava no momento de mais intensa perseguição de sua vida e ministério, foi abandonado por um “crente anão” chamado Demas (2ª Timóteo 4:10).
A diferença entre o justo e o ímpio, entre o que verdadeiramente serve a Deus e o que não serve (Malaquias 3:18) se revela em tempos de perseguição. Os maiores moveres de Deus hoje em dia estão ocorrendo em países cuja Igreja se reúne secretamente em função da perseguição. Crentes em nações comunistas e muçulmanos estão vivendo em uma dimensão espiritual que nós jamais imaginamos, pois a perseguição “peneirou” a Igreja revelando os verdadeiros discípulos de Jesus (Lucas 14:26-27,33).
Ouça atentamente e com cautela, uma perseguição se abaterá sobre a Igreja que forçará os falsos a apostatarem e os verdadeiros a se manifestarem com ousadia e poder e clamores como este: “Agora, pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que falem com toda ousadia a tua palavra, enquanto estendes a mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome do teu santo Filho Jesus.” (Atos 4:29-30). O resultado deste clamor é o resultado de nosso clamor ante a perseguição: “E, tendo eles orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam com ousadia a palavra de Deus.” (v. 31). Na perseguição, Deus moverá a Igreja com o clamor dos intercessores, o Espírito Santo se derramará “outra vez” e o evangelho será anunciado com uma ousadia sem precedentes na história.   

2-      Espalhados pela perseguição

A Igreja parece estar “dançando ao redor da sarça”, mas não quer ir ao Egito desafiar o Faraó e libertar o povo. Há uma empolgação e uma euforia com o “crescimento” do seguimento evangélico, e os crentes se acomodaram dentro das quatro paredes confortáveis da Igreja, com seu caríssimo ar condicionado e seus bancos estofados de primeira. Estão todos “unidos” formando um império de “super santos” que não saem de seu ambiente religioso por nada.
Deus, por sua vontade permissiva viabilizará um meio para espalhar a Igreja para os povos, a Perseguição.
Note este a grandeza desse texto: “...E fez-se, naquele dia, uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judéia e da Samaria, exceto os apóstolos.” (Atos 8:1).
A perseguição tirará a Igreja da “toca”, e os templos, embora importantes, perderão sua grande freqüência em função das grandes cruzadas evangelísticas. “Mas os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra.” (Atos 8:4).  

3-      Unidos pela Perseguição

Quero louvar a Deus pela Igreja na China, que debaixo de um esmagador jugo de comunismo, está cada vez mais unida em seus refúgios secretos, cultuando a Deus com uma intensidade que me faz sentir vergonha de alguns cultos em nossas igrejas. Uma atmosfera de comunhão paira sobre os crentes chineses, que mesmo não tendo ainda uma linha doutrinária estabelecida, estão se encontrando com Jesus freqüentemente.
Emociono-me com relato da unidade da igreja apostólica primitiva no tempo de maior perseguição de sua história, quando o sinédrio, os judeus, os fariseus e seu maior ícone Saulo de Tarso empreitavam uma campanha brutal de morte e destruição: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações... Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e fazendas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade. E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração.” (Atos 2:42, 43-46). A grande perseguição criou entre eles um senso de interdependência e serviço mútuo, que tornava aquela igreja tão humilde e desprezada na maior força da terra, e o resultado de tal união não poderia ser outro, CRESCIMENTO, e não “inchaço”. “...louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.” (v. 47).
A perseguição é parte da terapia divina para a Noiva enferma. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O RETORNO DA PRESENÇA DE DEUS




"E temeu Davi ao Senhor naquele dia e disse: 
Como virá a mim a arca do Senhor?"
II Samuel 6:9


A duas manifestações distintas da presença de Deus: a Onipresença de Deus, ou seja, Deus está em todas as partes, mesmos onde sua presença não é desejada, e a presença manifesta de Deus, ou seja, quando literalmente Ele vem. É dessa presença que a Igreja precisa, pois é ela que transforma o ambiente, muda os corações, curas os enfermos, refrigera os aflitos, aquece os corações. Essa presença não vem de qualquer maneira, precisamos entender os princípios, não estratégias, nem métodos, mas princípios.

1-    O QUE FEZ A PRESENÇA DE DEUS SER TIRADA DE ISRAEL

i-                   Sacerdotes que não conheciam o Senhor (I Sm 2:12)
Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial e não conheciam o Senhor.
É realmente paradoxal fazer menção de sacerdotes que não conheçam a Deus, mas este era o caso dos infames Hofini e Finéias, filhos do sumo-sacerdote Eli; é também o caso de muitos líderes cristãos da atualidade, que chegaram no ministério por manobras políticas, sem terem sido de fato chamados por Deus. Estes conhecem a teologia sistemática, conhecem os sacramentos e ordenanças eclesiásticas, conhecem teoricamente sobre Deus, mas não conhecem a Deus. Como tais sacerdotes podem guiar o povo de Deus? 

ii-                A porção de Deus no sacrifício era roubada (I Sm 2:13, 17)
Era, pois, muito grande o pecado desses jovens perante o Senhor, porquanto os homens desprezavam a oferta do Senhor.
Pastores que se ostentam arrancando a lã das ovelhas até sangrar o coro, vivendo como pop stars do evangelho. Não se conformam com a parte justa e bíblica que lhes cabe das ofertas e dízimos do povo de Deus, além disso, não sã fieis a Deus como dizimistas e ofertantes na obra de Deus.

iii-              Imoralidade sexual no ministério e entre o povo (I Sm 2:22)
Era, pois, Eli já muito velho e ouvia tudo quanto seus filhos faziam a todo o Israel e de como se deitavam com as mulheres que em bandos se ajuntavam à porta da tenda da congregação.
Muitos ministros, seja de louvor ou da palavra, ingressaram no ministério com suas bagagens de sexualidade conturbada, o problema não é exatamente este, mas o fato de continuarem a tentar ministrar libertação sem estarem de fato libertos ("libertadores oprimidos"). Adúlteros, fornicários, homossexuais, incontinentes e concupiscentes. Estas inclinações devem estar mortas e contidas pela nova natureza de ministros genuinamente nascidos de novo.  

iv-              Escassez de modelo na liderança (I Sm 2:24)
Não, filhos meus, porque não é boa fama esta que ouço; fazeis transgredir o povo do Senhor.
O líder é um formador de opinião, caráter e personalidade. Líderes avarentos formam seguidores avarentos, líderes irreverentes e chocarrões formam seguidores irreverentes e chocarrões, líderes sensuais formam seguidores sensuais. Há também em nossos dias uma grande falta de líderes nos moldes de Cristo que possam, como Paulo, dizer: "Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo" (I Co11:1).

v-                Liderança acomodada e conformada pelo tempo (I Sm 4:18)
“...Eli caiu da cadeira para trás, da banda da porta, e quebrou-se-lhe o pescoço, e morreu, porquanto o homem era velho e pesado; e tinha ele julgado a Israel quarenta anos.
Poucas coisas são tão deprimentes quanto um líder acomodado com o atual estado de sua vida, ministério e igreja. Não avançam, não evoluem, não planejam, não ousam, não creem. Estão estagnados em seus dogmas, filosofias, e em sua "grande experiência de vida". Não fazem nada para se renovar e não se preparam para o novo de Deus. Estes cairão de seus tronos e não deixarão um legado de avivamento, mas uma história de decadência. 

vi-              O ministério profético da exortação inativo (I Sm 3:13)
...fazendo-se seus filhos execráveis, não os repreendeu.
É deprimente ouvir os sermões motivacionais e de auto-ajuda da atualidade em que pregadores e pastores tomados de um "espírito de frouxidão", injetam comodismo e indolência espiritual na veia do povo. Não exortam para não perder os patrocinadores, não confrontam para não perder os dizimistas; são coniventes com o pecado, com o secularismo e com a mornidão espiritual. Não querem formar cristãos à imagem de Cristo, mas marionetes religiosas à sua própria imagem. 

2-    COMO RETORNARÁ A PRESENÇA

i-                   Com reverência (I Cr 15:2)
Então, disse Davi: Ninguém pode levar a arca do Senhor, senão os levitas; porque os Senhor os elegeu...
Como Davi, muitos crentes estão fazendo algumas coisas certas, mas do jeito errado. Organizam seus ministérios e reuniões para a visitação das massas, mas não para a visitação de Deus. Precisamos rever nossa forma de entrar e se portar na presença de Deus, especialmente no templo. Tomemos como base um tribunal, no qual a entrada e permanência depende da observação de alguns protocolos de respeito à pessoa do Meretíssimo Juiz, postura, ética, pontualidade, roupas... Não deveriamos ter mais elevada reverência para com o Juiz de toda a Terra (Sl 75:4-6). A presença de Deus não se sente confortável em meio a irreverência de pregadores "palhaços" e levitas profanos.

ii-                Com santificação (I Cr 15:14)
Santificaram-se, pois, os sacerdotes e levitas, para fazerem subir a arca do Senhor...
Parece antiquado falar de santidade nesta geração de uma teologia da "graça barata"; a santificação é o preço para vislumbrar a presença de Deus (Hb 12:14). Não entendo os "ultra-calvinistas" hipócritas quando dizem: "Fulano quer ser santo demais!". Será que devemos ser santos de menos? Não é essa a ordem do Senhor. (Ap 22:11). Santificação é consagração, é dedicação, é separação. Não podemos entender a santificação bíblica no contexto de uma vida dúbia. Canta na noite e canta na igreja, se corrompe no mundo e exerce influência na igreja. Sacerdotes, levitas, pastores, precisamos nos santificar para trazer a presença manifesta de Deus.

iii-              Com renúncia constante (II Sm 6:13)
E sucedeu que, quando os que levavam a arca do Senhor tinham dado seis passos, sacrificava ele bois e bezerros cevados.
O dia de 24 horas é uma dispensação de constante renúncia. O nível de renúncia revela o nível de nossa autoridade espiritual e sucesso ministerial. Renunciar é viver crucificado, é morrer para todo o mundo e viver para Cristo (Gl 2:20). Se queremos desfrutar da presença manifesta de Deus, precisamos repudiar aquilo que para outros é normal. Devemos de fato amar o que Deus ama e odiar o que Deus odeia, sem meios termos.

iv-              Sobre os santos e não sobre as programações (I Cr 15:15)
E os filhos dos levitas trouxeram a arca de Deus aos ombros, como Moisés tinha ordenado, conforme a palavra do Senhor, com as varas que tinham sobre si.
É patético ouvir anúncios no rádio, TV, internet e faixas, que anunciam alguma conferência ou congresso de avivamento. Não podemos agendar um avivamento. O avivamento é um ato soberano de Deus. Nossas programações não atraem a presença do Espírito entre nós. Davi organizou um show pirotécnico, uma grande "balada gospel" para trazer a presença de Deus, mas esta presença somente poderia vir nos ombros de levitas e não sobre os carros de bois do mercado religioso. Deus não espera tanto que você adorne as paredes de um templo de tijolos, quanto quer que você adorme primeiro o seu templo, o seu corpo, a sua vida.

v-                Com adoração e louvor entusiasta e alegre (I Cr 15:16)
E disse Davi aos príncipes dos levitas que constituíssem a seus irmãos, os cantores, com instrumentos músicos, com alaúdes, harpas e címbalos, para que se fizessem em ouvir, levantando a voz com alegria.
Louvo a Deus pois o formalismo religioso no culto cristão está dando lugar a adoração extravagante de adoradores que não concebem a idéia de uma "adoração silenciosa e discreta". Todo nosso ser deve adorá-lo. Espírito, alma, corpo, mente, tudo. A presença de Deus não virá sem fome e sede, e tanto a fome quanto a sede são marcados por sintomas internos e externos. Clamemos pela presença com adoração alegre e expressiva.

"Ó se fendesses os céus e descesses!..." (Is 64:1a)