segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A BELEZA LITÚRGICA DA IGREJA DE DEUS EM CRISTO



A salvação humana operada por Jesus Cristo está inserida na história e na humanidade. Deus Pai, que é absolutamente transcendente, envia seu Filho Jesus Cristo para se encarnar e entrar na dinâmica e realidade humana do tempo e da matéria. O Filho encarnado tornou-se sinal visível do Pai, da sua graça e da sua salvação. Tornou-se sacramento.
O ser humano por ser simbólico, só pode compreender pela linguagem, sinais, gestos, palavras que unem a coisa a seus significados Tal é o sacramento: um sinal que aponta para uma realidade que está para além da coisa em si. Em se tratando dos sacramentos da fé, o sacramento é o sinal eficaz da graça de Deus. Eficaz porque é o próprio Cristo quem atua por aquele sinal.
O Filho Jesus deixou seu sacramento, aquilo que é sua presença constante na história humana: a Igreja. Porque a salvação que Jesus Cristo realizou é definitiva e é graça de Deus oferecida a todos os homens, até a consumação dos tempos, havia a necessidade de que sua presença fosse sensível e não apenas uma lembrança de um fato passado. Dá-se aí a importância do símbolo na liturgia cristã.
Infelizmente no contexto de diversidade religiosa católica e protestante de determinadas culturas, especialmente no Brasil, os extremos quanto ao sacramento divergem. Os extremos são: a cultura católica de supervalorização litúrgica num contexto de hiperdulia (grande veneração) e latria (adoração) dos símbolos cristãos; o segundo extremo é a abdicação completa da beleza transcendente do rito e do símbolo cristão.
O vertiginoso crescimento do pentecostalismo no Brasil tem projetado nossa nação no cenário religioso mundial. Os pentecostais estão hoje inseridos nas mais variadas posições de eminência na sociedade brasileira. Porém, são justamente os pentecostais que formam o grupo do segundo extremo da desvalorização sacramental e litúrgica. Acerca disso temos como exemplo sumo o uso de dois paramentos clericais que são anatematizados pelos pentecostais brasileiros, a cruz e a gola.
Na postagem anterior abordei alguns aspectos bíblicos da importância da CRUZ como âmago da simbologia cristã genuína, agora, vale a pena ressaltar questões históricas do âmbito brasileiro redigidos pela Miss. Vera Araújo (Missionária Distrital COGIC3):
A  CRUZ
Ao deparar com o Brasil, Portugal o faz de forma político/religiosa, onde predominava-se a religião Católica trazida pelos Jesuítas. Eram a descobertas de Deus e, assim, sempre acompanhados por um padre da ordem dos jesuítas estabelecem aqui uma colônia exclusivamente católica, e isto por séculos.
Em 1819 iniciou-se a construção de um templo anglicano no Rio de Janeiro, com aparência externa de residência comum; e, em 1820 os cultos passaram a acontecer todos os domingos. Reuniam-se ali estrangeiros de língua inglesa, funcionários de embaixadas, comerciantes, marinheiros, viajantes de passagem pela cidade. Era uma capela e não uma congregação protestante como o é ainda hoje. 
Estava proibido o uso de sinos para anunciar os ofícios, ou o templo ter uma cruz externa ou torre, e por aí vão as proibições da Igreja Católica.

Em 1823, Dom Pedro I, contrata imigrantes protestantes para o desenvolvimento do Brasil colonial e, junto a estes, um pastor para acompanhá-los. Seu salário era provido pelo Governo Imperial. Esta primeira “colônia” protestante do Brasil, chega em 1824 e, neste mesmo ano, a 3 de maio, realiza-se o primeiro culto evangélico em Nova Friburgo.
Desde então novos grupos de protestantes se estabeleceram em diversos pontos do império, estabelecendo congregações evangélicas que se consolidaram no Rio Grande do Sul, onde o primeiro culto é celebrado em 6 de novembro de 1824, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo, Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
Em 1827, por iniciativa do cônsul da Prússia, organiza-se igreja na corte, agrupando evangélicos e alemães, por 10 anos reúnem-se em residências particulares.
Em 1837 alugam uma casa para culto. Autorizados pelo Imperador Dom Pedro II, iniciaram a construção do templo em 1844, inaugurando-o em 27 de junho de 1845. Para essa construção receberam donativos do Rei da Dinamarca; do Grão-Duque de Badem; do príncipe Alberto, da Prússia e da Duquesa de Orleans, esta da Igreja Romana. Na fachada, ostentava, como ornamento, símbolos evidentes da finalidade religiosa; uma bíblia ladeada de dois cálices. 
Novamente não puderam construir a torre com cruz ou instalar sinos, como pretendiam. O império seguia a risca as ordens da Igreja. Era a Igreja do império. Não havia conceito de que cruz era isto ou aquilo - era colocada nos templos protestantes simplesmente por ser símbolo cristão. Mas, aqui no Brasil esses primeiros protestantes brasileiros foram proibidos de usar a cruz aqui em nossas terras. 

Após um pequeno esboço histórico, podemos compreender que ao longo do tempo os cristãos evangélicos daqui do Brasil - é bom lembrar isto - os ‘crentes’ como eram denominados na época passam a ver a cruz de maneira pejorativa e, alguns para defender sua ausência no ambiente de culto até chegam a citar erroneamente Gálatas 3.13 e Deuteronômio 21.23, forçando o texto para dizer o que ele não diz - sussurram baixinho entre si... “a cruz é maldita meus irmãos”. 
O texto relata que não é a cruz que é maldita mas, o que for pendurado nela. Jesus se tornou maldito em nosso lugar e, na cruz, segundo o texto, Ele, despojou (arrancou do domínio) os principados e potestades e triunfou sobre eles na cruz.

Já há muito tempo em países onde o catolicismo deixou de citar regras de governo, os cristãos de todos os seguimentos trouxeram a cruz ‘vazia’ de volta.
As Igreja pentecostais em todos os países que tenho conhecimento valem-se do privilégio de ter este símbolo em seus templos e na sua arte. Nossas Igrejas, nos Estados Unidos, Uruguai, México, Guianas, Nigéria e outros países de sua extensão se servem do maior símbolo cristão – A CRUZ.

A GOLA
O uso de vestes especiais por parte dos oficiais da igreja serve para representar o seu ministério entre o povo. Entre estas vestes especiais se destaca o colarinho clerical. Este é normalmente o colarinho de uma camisa ou colete com uma aba branca destacável frente. Originalmente era feito de algodão ou linho, mas normalmente é feito hoje de plástico. Às vezes (especialmente na prática católica romana) a aba é fixa com um colarinho que cobre quase completamente, deixando um quadrado branco pequeno à base da garganta. Em muitas igrejas e em muitos locais, por não saberem da origem e do significado, não se aceita o uso de colarinho clerical. Com a devida orientação os cristãos passarão a entender a conveniência e a oportunidade do seu uso. O colarinho clerical é uma invenção bastante moderna (é provável que tenha sido inventado em 1827). Aparentemente, foi inventado pelo Rev. Dr. Donald McLeod, pastor anglicano. Foi desenvolvido para ser usado no trabalho cotidiano do ministro (mais prático que a batina). Hoje é usado por pastores nas diversas denominações Cristãs como presbiteriana (é dito que o colarinho clerical se originou na Escócia), luterana, metodista, algumas denominações pentecostais (COGIC) e, também, por ministros Cristãos não denominacionais.
Os católicos romanos passaram a usá-lo a partir do Concilio Vaticano II, em substituição a batina, em situações especiais, essa adoção deve-se aos padres Jesuítas. É usado por todos os graus de clero: bispos, presbiteros (padres) e diaconos, e também por seminaristas. Na tradição Oriental, às vezes, os subdiáconos e leitores também o usam.

Significado

O colarinho clerical simboliza que quem o usa é um servo, pois este colarinho estava ao redor do pescoço dos escravos no mundo antigo. As pessoas que o usam servem como Ministros de sua Palavra. Toda a igreja tem compromisso com o testemunho de Cristo no mundo, no entanto, o pastor compromete-se de modo específico com o Ministério da Palavra. Assim, o colarinho clerical simboliza esse compromisso pastoral com o anúncio do Evangelho. O colarinho branco sobre fundo preto envolvendo a garganta é simbólico da Palavra de Deus proclamada.

Relevância

O uso de símbolos é um sinal e um testemunho vivo de Deus no mundo secularizado. Pois uma das características do movimento de secularização é o desprezo por sinais e símbolos religiosos. Para as pessoas o fato de ver um ministro com o colarinho clerical já é um testemunho de fé. Assim como vendo um militar lembramos-nos da Lei, e vendo um enfermeiro (a) com seu uniforme branco lembramos o hospital. Igualmente é válido para os pastores que freqüentam lugares públicos usar o colarinho clerical.

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Hoje, a única denominação pentecostal no Brasil que conserva equilibrada e biblicamente esta riqueza litúrgica singular do cristianismo histórico, é a COGIC – Church Of God In Christ (Igreja de Deus em Cristo), a mãe histórica de todas as denominações pentecostais a maior denominação pentecostal dos Estados Unidos, e a denominação que, em termos estatísticos mais cresce no planeta. Como uma Igreja genuinamente episcopal, guarda toda a simbologia sacramental e litúrgica utilizada e praticada pelos pais apostólicos da Igreja, a mesma simbologia que foi equivocada e grotescamente tornada iconoclastia pela igreja católica.
Nossos bispos são devidamente identificados pelas cores de suas camisas e a singularidade de seus paramentos como a gola clerical; assim é também com nossos pastores e presbíteros. Nossa Ceia é caracterizada normativamente pela reverência e pelo seu caráter altamente sacramental, onde os itens da Ceia, cobertos por um lençol branco que é delicadamente retirado para o cerimonial, e da mesma forma delicadamente recolocado após o cerimonial (referência à  João 20:7).
Conservamos a mesma doutrina bíblica e posições teológicas das denominações pentecostais clássicas como Assembléia de Deus e Holliness, que, como já dissemos, são oriundas da COGIC. Observamos não duas, mas três ordenanças: (1) A Ceia (I Coríntios 11:23-25); (2) O Batismo (Mateus 28:19); e (3) O Lava-Pés (João 13:14-15).
Esta é a Igreja de Deus em Cristo, adoramos somente a Deus o Pai, a Jesus Cristo Senhor e Salvador da humanidade e ao Bendito Espírito Santo, nosso Consolador e doador dos dons espirituais. Praticamos os sacramentos e símbolos como uma forma visível da maravilhosa Graça invisível. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A CRUZ NA LITURGIA PENTECOSTAL?


Justificativa

            Tenho observado a ignorância bíblica de uma parcela do seguimento evangélico acerca especialmente do simbolismo da cruz, que para muitos é tida como sinônimo de maldição. A cristandade evangélica aderiu como símbolo um peixe, dadas algumas questões históricas irrelevantes e teologicamente frágeis.
Dentre as igrejas históricas que fazem uso de adereços como a toga e estola sacerdotal, a gola clerical e a cruz, temos anglicanos, metodistas, além de alguns batistas e presbiterianos. Mas, e no seguimento pentecostal, existe alguma denominação histórica que adote tais paramentos? 
            Pertenço a uma denominação pentecostal histórica, aliás, a primeira igreja pentecostal oficial, a COGIC - Church Of God In Christ (Igreja de Deus em Cristo), que até onde me consta, é a única do seguimento pentecostal que conserva a beleza da espiritualidade sacramental e litúrgica, dada sua origem no metodismo e anglicanismo e dos afro-batistas. Como pastor presidente de uma das congregações COGIC no Brasil, faço uso de paramentos clericais como a toga e estola sacerdotal, a gola clerical e a cruz, especialmente na celebração da Santa Ceia do Senhor (que a despeito do que argumentem alguns teólogos liberalistas é Santa sim!).

                        Introdução
O advento da Reforma Protestante não gerou somente benefícios para a cristandade, como a livre interpretação das Escrituras; em seus primórdios a Reforma promoveu demasiada hostilidade tanto de católicos romanos para com os protestantes, como de protestantes para com os católicos romanos, assim, surgiu uma mentalidade protestante que anatematiza tudo o que diz respeito à espiritualidade e liturgia católica, porém, as grandes deformidades do catolicismo, não residem essencialmente em seus adereços ou questiúnculas externas, e sim, na natureza de sua teologia.
Logo nos primórdio da Reforma essa mencionada hostilidade protestante desencadeou uma revolta cega e sem razão contra toda e qualquer forma de simbolismo cristão, em especial a destruição de toda a arte sacra (que realmente a essa altura já era idolatrada), e a morte de milhares de inocentes em confrontos religiosos. Isso jamais foi o intuito do pacifista Martinho Lutero, que em sua concepção nunca se insurgiu ou ostentou o título de “reformador”, e jamais abandonou os aspectos litúrgicos de sua fé católica, ao contrário, procurou alinhá-las com as Escrituras.
Queremos expor aqui em poucas palavras uma apologia à espiritualidade sacramental no contexto evangélico, simplificando, queremos fazer uma defesa às denominações cuja cultura sacramental adota certos símbolos depreciados pelos protestantes radicais, porém, nossa ênfase será no simbolismo poético e profético da cruz de Cristo, e para tanto, proponho três argumentos desfavoráveis e dez argumentos favoráveis à cruz.

ARGUMENTOS DESFAVORÁVEIS À CRUZ

1-    Argumento: A CRUZ NÃO PODE SER UM SÍMBOLO ICONOCLASTA

Jamais foi plano de Nosso Senhor Jesus Cristo que o instrumento de sua morte fosse por nós venerado como um ícone divino, mas reverenciado como um símbolo histórico e sacramental. Tragicamente Satanás tem inserido na mentalidade de muitos cristãos essa iconoclastia da cruz, para tiremos nosso olhar da importância da mensagem da cruz e nos fixemos na suposta transcendência de sua imagem, assim por da adoração à cruz está o Diabo, mas por trás da reverência ao símbolo cruz, está o Espírito Santo. “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém!

2-    Argumento: A CRUZ COMO OBJETO NÃO TEM NENHUM PODER, SENÃO COMO SIMBOLISMO

A mesma iconoclastia supracitada sempre tende a atribuir poder ao inanimado, e a única fonte de poder espiritual é o Onipotente, e o poder da cruz não está no objeto e sim no seu simbolismo, pois nesta cruz foi efetuada uma eterna redenção (Hebreus 9:11-12). Nossas fontes de poder são: o Nome de Jesus (Marcos 16:17); a Palavra de Deus (Hebreus 4:12), o Espírito Santo (Atos 1:8), e o Evangelho da Cruz (Romanos 1:16).

3-    Argumento: A CRUZ ESTÁ VAZIA

Ainda nos referindo ao problema iconoclasta, estes insistem em pendurar a imagem de Cristo na cruz, e o símbolo da cruz só é válido quando esta é apresentada vazia, subentendendo que Cristo não está mais nela, mas assentado à destra da majestade nas alturas (Hebreus 1:3). Deus proíbe com veemência a fabricação de qualquer tipo de imagem de seres (Êxodo 20:4-5; Salmo 115:4-8). O que nos garante que possamos ser cheios do Espírito de Deus, é que o túmulo e a cruz de Cristo estão vazios. “Cruz vazia, crente cheio!”




ARGUMENTOS FAVORÁVEIS À CRUZ

1-    Argumento: A CRUZ É A CONDIÇÃO PARA O DISCIPULADO

Ao conclamar-nos para ser seus discípulos, Jesus declarou: “...quem não toma a sua cruz e não segue após mim não é digno de mim.” (Mateus 10:38). O Senhor não espera que sejamos simplesmente “crentes”, mas que sejamos discípulos. O discípulo é aquele que imita o Mestre, é aquele que se identifica com Jesus em seu ministério, vida e morte. Tomar a cruz, obviamente não se trata de pendurá-la no pescoço, mas revela que a o símbolo da cruz revela a principal condição de Cristo para segui-lo.

2-    Argumento: A CRUZ É O SÍMBOLO DE NOSSA AUTONEGAÇÃO

Um peixe pode até revelar a natureza evangelizadora do Cristianismo, mas não revela a essência da mensagem de Cristo, a autonegação. Como dissemos, a cruz é a condição para ser discípulo de Cristo assim como a identificação com o sentimento de Cristo é a condição e o padrão a vida cristã. “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas negou-se a si mesmo...” (Filipenses 2:5-7a). A cruz simboliza isso. “...se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz...” (Marcos 8:34).

3-    Argumento: A CRUZ DE CRISTO NÃO PODE SE TORNAR VÃ

Paulo fala acerca de sua pregação: “...não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã.” (I Coríntios 1:17b). Se a cruz não pode se tornar vã é porque ela é realmente significativa e relevante. Dentre outras coisas, o que torna a cruz vã são os discursos intelectualistas e estéreis destituídos de poder do Espírito de Deus. A CRUZ é importante e deve ser exposta com poder.

4-    Argumento: O ESCÂNDALO DA CRUZ NÃO PODE SER ANIQUILADO

Sim, o evento da cruz foi um grande escândalo. Um homem justo exposto à vergonha da nudez e castigo, morto como um criminoso vil com o consentimento e endosso da religiosidade hipócrita da época, porém, esse notável escândalo se tornou uma poderosa pregação que rompeu as épocas e gerações e chegou até nós. “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.” (I Coríntios 1:21). Onde está essa loucura? No escândalo da cruz; e o que ameaça aniquilar esse “poderoso ”escândalo? O abandono da fé e retorno às obras como meio de salvação. “Eu, porém, irmãos, se prego ainda a circuncisão, porque sou, pois, perseguido? Logo, o escândalo da cruz está aniquilado.” (Gálatas 5:11). O escândalo da cruz ratifica grandeza da graça (Efésios 2:8).

5-    Argumento: A CRUZ NÃO É MALDITA, E SIM O CRUCIFICADO

Equivocadamente alguns pregadores e ensinadores bíblicos atribuem maldição à cruz, e Bíblia jamais anatematizou a cruz. A maldição é atribuída ao crucificado: “Quando também em alguém houver pecado, digno de juízo de morte, e haja de morrer, e o pendurares no madeiro... o enterrarás no mesmo dia, porquanto o pendurado é maldito de Deus...” (Deuteronômio 21:22-23). Aqui está a loucura da pregação cristã: A Benção se fez maldição para que a maldição não estivesse mais sobre nós, senão vejamos: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro.” (Gálatas 3:13). A Santidade se fez pecado para que os pecadores fossem feitos justiça. “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (II Coríntios 5:21).

6-    Argumento: A CRUZ É A NOSSA ÚNICA RAZÃO DE GLÓRIA PESSOAL

É redundante dizer que toda glória pessoal é vã; dada a grandeza da graça de Deus revelada na cruz, o homem não tem de que se gloriar, pois na salvação “não entramos com nada”, senão com a fé. Paulo em sua justiça pessoal e atributos religiosos poderia se gloriar de muitas coisas (Filipenses 3:4-6), mas atribui e restringiu essa glória pessoal em um único aspecto, A CRUZ: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu, para o mundo.” (Gálatas 6:14). A cruz é motivo de glória, essencialmente em sua mensagem e liturgicamente em seu símbolo.

7-    Argumento: A CRUZ É SÍMBOLO DE RECONCILIAÇÃO

Como o próprio Senhor Jesus Cristo, a cruz possui essa natureza paradoxal; Jesus é vaticinado pelo profeta messiânico Isaías como O Príncipe da Paz (Isaías 9:6) e enfaticamente declarou: “Não cuideis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; porque vim por em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra. E assim, os inimigos do homem serão os seus familiares.” A cruz ao longo dos séculos caracterizou-se não poucas vezes como símbolo de guerra e divisão, o que se popularizou com o avento dos lendários cavaleiros cruzados. Mas na verdade, a cruz é o mais poderoso símbolo de reconciliação e unidade (Efésios 2:11-16).


Conclusão
            A beleza e a grandeza da cruz estão em sua natureza poética, pois aquela pesada cruz de madeira é ao mesmo tempo rude e doce, horrível e bela, desprezível e preciosa. Como já foi dito, é a natureza paradoxal de um objeto que ao longo dos anos foi alvo de injusto repúdio e demasiada veneração. A cruz é a nossa fonte de Sangue Redentor (Colossenses 1:20; 2:14). Mas em síntese, a CRUZ e não um peixe é o símbolo máximo e imutável do cristianismo bíblico, e o uso ou não desse símbolo em nossos paramentos é absolutamente irrelevante, pois a cruz é a mensagem que deve estar clara e transbordante em nossos corações. A nossa mensagem deve ser não somente Cristo, mas O CRISTO DA CRUZ “mas nós pregamos a Cristo crucificado... Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.” (I Coríntios 1:23; 2:2). Deus em Cristo os abençoe. Amém.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

AOS QUE SE GLORIAM EM SEUS ANTECEDENTES NOBRES

                              
 JUSTIFICATIVA

Recentemente deixei um status no faceboock que causou certa polêmica para com alguns colegas de ministério que não compreenderam meu posicionamento, minha declaração foi a seguinte: “Não é sábio um ministro se gloriar de sua nobre árvore genealogia, pois se isso fosse razoável, Lúcifer poderia se gloriar de sua genealogia angelical; Deus não se impressiona com nossos antecedentes ou nossa ascendência, mas espera que com sua graça construamos um legado para nossa descendência.
Entendi que esse seria um tema bastante interessante para instigar nosso pensamento teológico, e fico feliz por poder debater temas tão contundentes sempre à luz da Graça Divina e da comunhão fraterna entre irmãos. Sei que meus colegas se sentirão enriquecidos pela leitura desse pequeno texto proposto em forma de postagem. Deus em Cristo os abençoe.

                               INTRODUÇÃO
  
Em um primeiro momento quero fornecer argumentos respaldando a importância de se considerar uma ascendência nobre, e o dever de honrá-la e ser grato a Deus por ela; em um segundo momento preciso também argumentar sobre a dispensabilidade desse aspecto no que tange à vocação divina em Cristo Jesus.

SEIS ARGUMENTOS À FAVOR DE SE HONRAR A GENEALOGIA

1º ARGUMENTO PRÓ HONRAR A ASCENDÊNCIA: Abraão, Izaque e Jacó.
Certamente não podemos negar a nobreza da linhagem patriarcal judaica, tendo Abraão como fundamento histórico dessa linhagem. Deus, honrando a semente que Ele mesmo plantou, se apresenta na narrativa bíblica como o Deus de Abrão, o Deus de Izaque e o Deus de Jacó; e foi da tribo de Judá, filho de Jacó que foi gerado Jesus Cristo, o Messias e Salvador.

2º ARGUMENTO PRÓ HONRAR A ASCENDÊNCIA: A Linhagem Levítica.
Se a ascendência não tivesse sua importância honrosa no prisma divino, Deus não teria instituído dentre os filhos de Jacó uma tribo de sacerdotes, a de Levi, que se perpetuou como detentores do cajado sumo-sacerdotal Aarão, mas essa linhagem de sumosacerdotes foi encerrada por ocasião do “julgamento” de Jesus no Sinédrio, quando o sumo-sacerdote vigente Caifás, desacatando a lei rasgou suas vestes (Levítico 21:10; Mateus 26:65) transferindo assim, sem saber, seu sacerdócio à Jesus Cristo o Eterno Sumo-Sacerdote. Mas até então, Deus honrou a genealogia levítica.
   
3º ARGUMENTO PRÓ HONRAR A ASCENDÊNCIA: A Linhagem de Lúcifer
Mesmo em estado permanente e irreversível de Queda, Satanás ainda é, de alguma, forma “respeitado” por sua antiga hierarquia angelical, e isso é um princípio divino. Deus ordenou aos anjos que, a despeito de pelejarem contra aquele que se rebelou, o honrassem por sua natureza angélica. Miguel é um arcanjo de alta patente nas miríades celestiais, mas ainda assim “não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda.” (Judas 9). Lúcifer não tem de que se gloriar, mesmo porque ele desonrou sua própria natureza, mas essa natureza deve ser respeitada pelos anjos e pelos homens (Judas 8).

4º ARGUMENTO PRÓ HONRAR A ASCENDÊNCIA: A Raíz de Jessé.
Certamente, Deus fez uma perpétua aliança com a casa de Jessé, pai de Davi, e o nome Davi se referência real na concepção judaica histórica; o trono do reino de Israel jamais foi chamado trono de Israel, mas o trono de Davi. À partir do reino davídico a linhagem do rei Davi jamais se apartou desse trono, o qual está sob a profecia de messiânica de restauração, quando o Cristo se assentará sobre ele e governará de Jerusalém, não somente Israel, mas todas as nações da terra. É irônico e ao mesmo tempo poético dizer que o primeiro a “enxergar” e honrar a ascendência real de Jesus foi um cego (Marcos 10:47), e isso lhe proporcionou plena salvação da parte de Deus (Marcos 10:52).

5º ARGUMENTO PRÓ HONRAR A ASCENDÊNCIA: O Legado Sangrento dos Mártires
Não seria justo desfrutarmos hoje desse tempo de “aceitação” da Igreja e desprezar a memória daqueles que foram martirizados por sua fé em Jesus Cristo. O sangue de nossos irmãos crentes até hoje clamam desde o pó do Coliseu de Roma e de outras partes do mundo onde cristãos foram severamente perseguidos e mortos por não negarem sua fé. Devemos honrar a história desses santos e encontrar neles, além do próprio Senhor Jesus Cristo (I Coríntios 11:1) um referencial e paradigma de fé genuína e perseverança. Desmerecer essa história é fazer descaso do sangue do diácono Estevão, o primeiro mártir cristão, e esquecer até mesmo do precioso Sangue de Jesus que nos redimiu.

6º ARGUMENTO PRÓ HONRAR A ASCENDÊNCIA: A Sucessão Apostólica
Os Concílios Eclesiásticos decidiram por resoluções quase unânimes e direção do Espírito Santo que governa a Igreja historicamente por sua providência (Atos 15:28), que a tradição e doutrina apostólica seria transmitida aos bispos que por sua vez estariam incumbidos de protegê-la dos assédios heréticos, e que a história e o legado dos apóstolos e bispos deveriam ser reverenciados pela Igreja. Devemos honrar esse legado apostólico e sua posteridade como guardiães da Doutrina Cristã como exposta nas Escrituras Sagradas, a Bíblia. Devemos honrar nossas lideranças e a história por eles já construída.



SETE ARGUMENTOS CONTRA O GLORIAR-SE NA GENEALOGIA

1º ARGUMENTO CONTRA GLORIAR-SE NA ASCENDÊNCIA: A Linhagem Gentílica
Nós, que não somos judeus, não temos do que nos gloriar no que tange à nossa ascendência histórica, pois em nossa árvore genealógica encontraremos paganismo, imoralidade e rebelião contra o Deus Verdadeiro. Somos filhos de sumérios, babilônicos, persas e gregos. Somos gentios, e muitas vezes desprezamos a história do povo escolhido (os judeus), para exaltar nossa história recente, simplesmente porque recebemos o Messias. Paulo nos exorta: “Não te glories contra os ramos” (Romanos 11:18). Antes do advento de Cristo estavamos extraviados, separados, mergulhados na lama do pecado, fora da comunhão com Deus, destituídos das promessas dEle. Não temos quinhão na salvação de nossas almas, não entramos com nada, na verdade, nós entramos com o Pecado e Jesus Cristo, um judeu, entrou com a Salvação. Nossa árvore milenar é podre, mas Deus nos arrancou dessa árvore, nós, galhos secos, e nos enxertou na oliveira verdadeira, Jesus Cristo (Romanos 11:17). Glória, só a Deus!

2º ARGUMENTO CONTRA GLORIAR-SE NA ASCENDÊNCIA: Melquisedeque
                Surge diante de Abrão um personagem místico, na verdade até enigmático; ele recebe os dízimos de Abrão e o abençoa, exercendo todo o ofício de um sacerdote. A questão é que a linhagem sacerdotal de Levi estava à três gerações de ter início, mas este Melquisedeque aparece como uma prefiguração cristológica e assume o sacerdócio do Deus vivo mesmo não tendo uma ascendência sacerdotal, na verdade a Bíblia é mais clara quanto a isso: “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas, sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre. ” (Hebreus 7:3) Note que a longevidade e prosperidade de um ministério não diz respeito a uma genealogia caros leitores. A ênfase dessa verdade reside no fato de que a honra de Deus foi dada a alguém “sem história” (Hebreus 7:6). Glória, só a Deus!

3º ARGUMENTO CONTRA GLORIAR-SE NA ASCENDÊNCIA: A Vocação de Gideão
Em um tempo em que Israel era assolada pelos midianitas, Deus se proveu de um herói, um valente, mas este, não foi escolhido em casa real, em escola de profetas, ou em casa sacerdotal, mas sim no campo trabalhando, e trabalhando duro, malhando trigo no lagar. Quando o anjo do Senhor veio à Gideão para vocacioná-lo, sua alegação não poderia ser mais sugestiva: “...Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor da casa do meu pai” (Juízes 6:15). Glória, só a Deus!

4º ARGUMENTO CONTRA GLORIAR-SE NA ASCENDÊNCIA: O Matuto Amós
                Em tempo de trevas e corrupção, Deus em sua soberania levanta os mais improváveis para um ministério profético. Sim, Ele poderia escolher um rico, um nobre, um intelectual, ou alguém com uma frondosa árvore genealógica cheia de ícones reverenciáveis; mas Deus escolhe um Amós, que ao ser confrontado e questionado em seu ministério vocifera: “...Eu não era profeta, nem filho de profeta, mas boieiro e cultivador de sicômoros. Mas o Senhor me tirou de após o gado e o Senhor me disse: Vai e profetiza ao meu povo Israel.” (Amós 7:14-15). Glória, só a Deus!

5º ARGUMENTO CONTRA GLORIAR-SE NA ASCENDÊNCIA: O Sacerdote João Batista
                Pasme, o sumo-sacerdote de Israel nos tempos de Jesus não deveria ser Anás ou caifás (Lucas 3:2), o herdeiro legítimo desse ofício preferiu ouvir o chamado profético e rejeitar as pompas do sacerdócio, trocando as gorduras da oferta pelos gafanhotos e mel Sivestre, e a mitra real e Urim Tumim por pêlos de camelo e um cinturão de couro. Isso mesmo, João batista, o filho do sacerdote Zacarias, da ordem de Abias e Isabel filha de Arão (Lucas 1:5). Ele poderia reivindicar sua posição ante as manobras políticas de Anás sogro de Caifás, mas escolheu se gloriar em Deus. Glória, só a Deus! 

6º ARGUMENTO CONTRA GLORIAR-SE NA ASCENDÊNCIA: Pedras Abraâmicas
                Os líderes judeus nutriam uma falsa segurança de salvação ostentando o fato de serem filhos genealógicos ou descendentes de Abraão, assim, viviam sua “espiritualidade” de maneira hipócrita e descomprometida com Deus, ao que João Batista bradou: “não presumais de vós mesmos dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.” (Mateus 3:9). Há muitos hoje no inferno ainda invocando sua ascendência nobre (Lucas 16:24). Glória, só a Deus!      

7º ARGUMENTO CONTRA GLORIAR-SE NA ASCENDÊNCIA: A Renúncia de Paulo
                Quero deixar que as palavras de Paulo falem por si: “Ainda que também podia confiar na carne [se gloriar]; se algum outro cuida que pode confiar na carne [se gloriar], ainda mais eu: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei fui fariseu, segundo o zelo, perseguidor da igreja; segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era ganho [glória] reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo.”. A glória da genealogia é esterco. Paulo só tinha um motivo de gloria-se: NA CRUZ DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. (Gálatas 6:14). Glória, só a Deus!

                               CONCLUSÃO
Muitos se gloriam de sua origem rica, outros de sua origem sábia, outros de sua origem forte, mas “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas. Mas o que se gloriar glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor...” (Jeremias 9:23-24).
    

domingo, 4 de setembro de 2011

A TEOLOGIA DO CONTENTAMENTO


Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.
Lucas 12:15

            Longe de exaltar uma ideologia socialmente derrotista e conformista, se faz necessário que esclareçamos o âmago da motivação cristã em relação a esta vida terrena, na verdade a expectativa meramente material em Deus revela a miséria e a pobreza de nossa espiritualidade (I Coríntios 15:19).
No texto em questão Jesus se recusa a se envolver em um litígio de partilha de bens entre dois irmãos, pois percebe o amor desses moços pela perecível riqueza do mundo.
            Visto que o capitalismo norte-americano exportou para o mundo uma famigerada teologia chamada “da prosperidade”, e sabemos o quanto a mesma é discrepante em relação ao verdadeiro evangelho de Cristo, quero propor-lhe uma reflexão sobre uma teologia genuinamente bíblica, a TEOLOGIA DO CONTENTAMENTO.

1-      Contentamento é evidência de maturidade espiritual
...já aprendi a contentar-me com o que tenho.” (Filipenses 4:11)
 
A teologia da prosperidade é um rudimento para bebês na fé, que só sabem orar o Me dá! Me dá! Me dá! Cristãos amadurecidos já passaram pela fase do “Deus papai Noel”, que existe apenas como um mero provedor de necessidades temporais, isso é leite, e de péssima qualidade. Esses anões espirituais que vivem à procura de escrituras do que Deus pode lhes dar, não podem viver a verdadeira abundância espiritual em Cristo. O apóstolo Paulo em seu estado de maturidade espiritual, passando privações, morando de aluguel, sofrendo assaltos e momentos de fome, aprendeu a TEOLOGIA DO CONTENTAMENTO.

2-      Contentamento é fruto da verdadeira piedade.
Mas é grande ganho a piedade com contentamento.” (I Timóteo 6:6)

A verdadeira piedade é suprimento escasso na cristandade moderna, especialmente no clero, haja vista que os ministros modernos estão propagando uma mensagem triunfalista e antropocêntrica (homem no centro). Essa piedade cristã está associada ao senso de contentamento em relação à vida secular. Paulo exorta o jovem pastor Timóteo a se desvencilhar da demanda avarenta de sua geração, daqueles que tinham o ministério como fonte de riqueza material. Os pastores e líderes evangélicos de nossa geração estão se embriagando com a possibilidade de ganho fácil, renunciando à verdadeira piedade. Líderes, é tempo de aderir à TEOLOGIA DO CONTENTAMENTO.

3-      Contentamento revela verdadeira humildade.
...não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes...” (Romanos 12:16b)

Sejamos francos e destituídos de demagogias religiosas e vã piedade, alguém que investe absolutamente todo o seu tempo, vida e esforços, em alcançar a grandeza, seja em sua vida acadêmica, profissional ou material, a tal pessoa não pode jamais ser considerada nos padrões bíblicos como “humilde”. Não quero com isso desmotivar o investimento dos jovens em um futuro melhor para si e para a família que desejam construir, mas desejo confrontar os crentes desta geração com uma pergunta divina: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros e não é rico para com Deus.” (Lucas 12:20-21). O crente ambicioso é justamente aquele que teve sua mente sorrateiramente afetada pela teologia da prosperidade, tornando-se um quase megalomaníaco, caçador de “bençãos”. Paulo é extremamente enfático com os crentes de Roma, a capitão mundial da ostentação e riqueza: “Agora, como filhos de Deus, esqueçam as grandes ambições pessoais, e conformem-se com o suprimento básico que Deus nos provê.” (paráfrase)   

4-      Contentamento é prova de uma fé genuína.
Sejam os vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque Ele disse: Não te deixarei, nem te desamparei.” (Hebreus 13:5)

Essa busca frenética e desesperada por suprimento e abundância somente revela uma coisa: não cremos que Deus possa nos suprir como ele prometeu (Mateus 6:25-34). E já que o texto rechaça a avareza tão comum neste século capitalista, devo exortar àqueles que negligenciam àqueles 10% que deveriam ser consagrados ao SENHOR. Qualquer um que, a despeito de suas dificuldades financeiras não trás os dízimos para suprimento da casa do SENHOR, está incorrendo em avareza e, mais do isso, em incredulidade pois não crê que Deus possa prover suas necessidades básicas com seus 90% que na verdade são 100%. E que dizer das ofertas, os filhos do diabo crêem plenamente que Jesus Cristo jamais ressuscitou dentre os mortos, e investem altas somas em dinheiro para propagar esta mentira (Mateus 28:11-15), e muitos dos “santos” da Igreja, dizendo crer na ressurreição não estão dispostos a comprometer seu precioso orçamento na propagação da verdade mais concreta da história, a de que JESUS ressuscitou de fato. Aqueles que não estão dispostos a investir seus recursos na evangelização, ou seja, na mensagem da morte e ressurreição, será que realmente crêem, ou apenas acreditam intelectualmente?
            Oh irmãos! Contentemo-nos com o que temos. Vamos investir os recursos de Deus na obra de Deus, no seu Reino, este é o ideal de todo verdadeiro cidadão do Reino de Deus: “Sem avareza, com contentamento e cheio de fé”. Ele jamais nos deixará ou desamparará. Seja fiel.

                        Conclusão
            “...A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte.” (II Coríntios 12:9-10)
            Será que isso é a triunfalista teologia da prosperidade ou é a sã Doutrina do Contentamento? Pense, não com a mente grega e capitalista deste século, mas com a imutável e perfeita mente de Cristo (I Coríntios 2:16).